Fazer reformas e liderar: o caminho está traçado por Ngozi Okonjo-Iweala

Fazer reformas e liderar: o caminho está traçado por Ngozi Okonjo-Iweala

Liderar os 162 representantes de países filiados na Organização Mundial do Comércio (OMC) é, a partir de 1 de Março deste ano até Agosto de 2025, o novo desafio de Ngozi Okonjo-Iweala, a nigeriana que na segunda-feira foi eleita directora-geral da organização

Os grandes desafios que se avizinham vão exigir o máximo empenho de Ngozi: o livre comércio entre economias de mercado; estímulo às reformas necessárias para a organização nos seus três pilares (negociações, solução de controvérsias e transparência) e assegurar resultados realistas e ambiciosos na 12ª Conferência da OMC deste ano, especialmente para o sector da agricultura.

No meio de tudo isso, durante uma recente entrevista que concedeu, Ngozi Okonjo-Iweala afirmou que a OMC precisava de uma verdadeira “sacudidela”.”Precisa-se de algo diferente. Não pode ser um negócio normal para a OMC. Busca-se por alguém disposto a fazer as reformas e liderar”, assumiu.De acordo com o economista Gilberto António, a situação com que se vai deparar Ngozi Okonjo-Iweala é bastante desafiadora.

“Dois pilares da OMC estão em ‘cuidados paliativos’: negociações, que duram desde 2001 com apenas um acordo importante (o da facilitação do comércio) e a resolução de litígios, cujo órgão de recurso não funciona por falta de quórum (nomeação de juízes está bloqueada)”, explica.Conforme lembra Gilberto António, quando foi lançado o GATT (General Agreement on Tariffs and Trade, que traduzido é o Acordo Geral de Tarifas e Comércio) havia apenas umas duas dezenas de Estados-membros.

Agora, o desafio, visto por alguns como problema, é que todas as decisões da Organização Mundial do Comércio (OMC) devem ser adoptadas por consenso. A isso, esclarece o especialista em assuntos africanos, é adicionada a complexidade dos temas em discussão (incluem regras sobre direitos de propriedade intelectual, comércio de bens e serviços, resolução de litígios, etc).
Apoio de várias partes

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, já reagiu à nomeação, elogiando Ngozi Okonjo-Iweala. “Trará uma riqueza de experiência e de conhecimento num momento em que a OMC precisa de ser reformada”, escreveu Michel no Twitter, dando o “apoio total” da União Europeia à nova directora-geral.

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