China retira carteira profissional a mais um advogado ativista de HK

China retira carteira profissional a mais um advogado ativista de HK

Um advogado que defendeu um dos 12 ativistas pró-democracia em Hong Kong acusados de terem deixado o território ilegalmente, viu a sua licença de advocacia revogada, foi hoje anunciado, sendo o segundo defensor a passar por esta situação

Este segundo caso foi avançado pela Agência France Press (AFP), a quem o advogado Ren Quanniu mostrou o ofício do Departamento de Justiça de Henan, uma província na China central, a revogar o seu direito a exercer a profissão de advogado.

Em janeiro, Lu Siwei, um advogado que também representava um dos 12 ativistas de Hong Kong que foram detidos no mar quanto seguiam em agosto para Taiwan, viu a sua licença de advocacia revogada.

A partir de Washington, o Departamento de Estado afirmou que os Estados Unidos estão “profundamente preocupados” com a revogação da licença dos dois advogados.

“Pedimos a Pequim que respeite os direitos humanos e o Estado de Direito e devolva imediatamente as licenças”, escreveu na rede social Twitter Ned Price, porta-voz do Departamento do Estado.

Em dezembro passado, 10 dos 12 ativistas então detidos foram sentenciados por um tribunal de Shenzhen a penas de prisão entre os sete meses e os três anos por “travessia ilegal da fronteira” e por “organização ilegal de travessias da fronteira”.

Poucos dias depois, os dois advogados, que em setembro já tinham visto ser-lhes negado o acesso aos acusados na China continental, foram informados pelas autoridades de que as suas licenças iriam ser revogadas.

Ren Quanniu recebeu a notificação sobre a revogação da licença esta sexta-feira após uma audiência em Henan ligada a um caso de 2018 no qual representou um membro do Falun Gong, um grupo religioso proibido na China continental.

As autoridades consideram que o advogado “perturbou a ordem normal do procedimento judiciário”, “prejudicou gravemente a imagem da atividade do advogado” e “causou impacto negativo na sociedade”.

À AFP o advogado refutou as acusações considerando que são “infundadas”.

Os 12 ativistas fizeram parte do êxodo dos residentes na antiga colónia britânica na sequência da imposição, por Pequim, da restritiva nova lei de segurança nacional, que tem destruído as liberdades civis pró-ocidentais em Hong Kong.

Desde que a lei entrou em vigor, como resposta aos protestos antigovernamentais iniciados em 2019, foram detidos dezenas de ativistas pró-democracia, perante as denúncias dos países europeus e dos Estados Unidos.

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