Poucas horas separam-nos do Natal, o dia dedicado à família. O dia de ontem foi de frenesi. Gente por todo o lado no mercado dos Congolenses. A parte de fora acolhe mais vendedores e clientes que dentro.
Nem mesmo o mau cheiro que vem da rua encharcada de lama espessa, defronte ao velho e desamparado campo de São Paulo, afugenta os vendedores. Os reparadores de electrodomésticos, computadores e telefones tomaram os passeios, tal como vendedeiras de hortaliças, que expõem os produtos sobre um saco de ráfia, estendido no chão. As pessoas andam em ziguezague. É impossível não ocorrer choques frontais e pedidos de desculpas repentinos. No interior do mercado, as donas de casa percorrem fila a fila, para adquirir bens, para um Natal “razoável” da família.
Conceição tem um saco plástico com compras que carrega firmemente nas mãos. “Tenho o básico aqui no saco”, atira a mulher, numa voz sarcástica. Enquanto repousa, ela conta que comprou ingredientes para “enganar” os filhos, com bolo e um jantar agradável. “Não há bolso para fazer um cozido de bacalhau. Os preços estão bastante altos nos mercados e nos armazéns”, reclama Conceição.
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