A ferro e fogo - Plataforma Media

A ferro e fogo

Parece ter terminado bem – porque libertada, o sequestro da portuguesa de 27 anos raptada na Matola, arredores de Maputo. Mas recordo a falta de notícias sobre Américo Sebastião, de quem não nos esquecemos e por quem insistentemente perguntamos. As autoridades moçambicanas registaram este ano um total de dez raptos, em que as vítimas são empresários ou familiares. Em outubro, empresários na cidade da Beira, em Sofala, paralisaram por três dias as atividades em protesto contra a onda de raptos no país. E a Confederação das Associações Económicas de Moçambique, a maior associação patronal, também exigiu um combate sem tréguas a este tipo de crime, a que também se referiu o próprio Presidente Filipe Nyusi. Sem sucesso ao que parece e pelo que está à vista.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, é palco há mais de três anos de ataques armados desencadeados por forças denominadas de insurgentes – verdadeiros terroristas islâmicos, e que se intensificaram com mais visibilidade este ano. Há estimativas dispares de 1.000 a 2.000 mortos e de até 500.000 deslocados.

Relatos mais recentes dão conta de que terão ocorrido vários ataques de grupos armados em algumas aldeias que provocaram um conjunto elevado de mortes entre a população. Estes ataques foram de uma violência extrema, incluindo a decapitação e o rapto de mulheres e crianças com menos de 15 anos.

O povo Moçambicano merece e exige – bastando para tal ouvir as palavras sofridas do Bispo de Pemba, um apoio musculado concreto que permita passar das palavras aos atos no sentido de terminar com a violência

Esta é uma situação totalmente intolerável, nada justificando a barbárie nem a violência utilizada em ataques continuados contra civis inocentes e que levou já as Nações Unidas, através do seu Secretário-Geral, a condenar veementemente esta “brutalidade atroz” e a reiterar o “compromisso das Nações Unidas em continuar a apoiar a população e o Governo de Moçambique na abordagem urgente das necessidades humanitárias imediatas e nos esforços para defender os direitos humanos, promover o desenvolvimento e prevenir a propagação do extremismo violento”.

Tenho insistentemente e sem descanso falado neste assunto no Parlamento Português. Pouco mais posso fazer do que denunciar e manter na ordem do dia uma questão da maior gravidade e de que se exige que não passe indiferente. Digo pois, presente sempre!

A comunidade internacional deve, rapidamente, encontrar uma fórmula para travar estes ataques, de forma a impedir a proliferação destes grupos armados na região e no Norte de Moçambique e o desenvolvimento das suas ideias extremistas. Simultaneamente – e antes que seja tarde, importa que Portugal se empenhe diplomaticamente para, junto da União Europeia, acelerar a tomada de uma decisão sobre esta questão evitando que Moçambique fique praticamente abandonado à sua sorte. Não podemos deixar para amanhã o que deve ser feito hoje.

O povo Moçambicano merece e exige – bastando para tal ouvir as palavras sofridas do Bispo de Pemba, um apoio musculado concreto que permita passar das palavras aos atos no sentido de terminar com a violência, sob pena de que, se nada for feito, sermos confrontados com uma crise humanitária de grandes proporções. Nós, Portugal e os Portugueses, temos parceiros, aliados e irmãos. E a estes últimos cabe-nos socorrer, em caso de necessidade, com ambas as mãos. Assim as autoridades Moçambicanas deste país soberano queiram e as autoridades Portuguesas tenham a coragem necessária que só nos honra e engrandece.

*Deputado do Partido Social Democrata (PSD) – Portugal

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