Artista plástico angolano Paulo Kapela morreu aos 73 anos - Plataforma Media

Artista plástico angolano Paulo Kapela morreu aos 73 anos

O artista plástico angolano Paulo Kapela, que “influenciou diretamente” uma geração de artistas mais jovens que se afirmaram além-fronteiras, morreu na terça-feira, vítima de doença, informou o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente

Autodidata, o artista Paulo Kapela, nascido em 1947 em Maquela do Zombo, na província do Uíje, começou a pintar em 1960 na Escola Poto-Poto, em Brazzaville, República do Congo, e vivia e trabalhava em Luanda desde 1989.

Kapela participou em inúmeras exposições coletivas em África e na Europa, com passagem por Portugal.

No âmbito da Trienal de Luanda, integrou a exposição “No Fly Zone” (Lisboa, 2013, no Museu Berardo) e a representação angolana da Bienal de Veneza na exposição “Check List – Luanda Pop”.

As suas obras estiveram também presentes na exposição itinerante “Africa Remix”, que passou por Londres, Paris e Tóquio e “Réplica e Rebeldia” (2006).

Nos últimos anos, expôs individualmente em Luanda nas galerias Tamar Golan, ELA (Espaço Luanda Arte) e no Centro Camões.

“O Kapela fará muita, muita falta. Deixa um vazio enorme no palco da arte contemporânea nacional”, assinalou numa nota o diretor-geral do ELA, Dominick A. Maia Tanner.

Em 2003, Paulo Kapela recebeu o prémio Ciciba – Centro Internacional de Civilizações Bantú, em Brazzaville, e foi o vencedor da edição de 2020 do Prémio Nacional de Cultura e Artes (PNCA), na categoria de artes visuais e plásticas.

O júri destacou que o artista mereceu o galardão pela sua técnica artística “diferenciada” e por considerá-lo “um mestre” para a geração mais nova.

Recentemente, a Fundação Arte e Cultura, prestou tributo ao mestre Kapela em 14 e 15 de novembro com a exposição coletiva “Paz e Amor”.

O artista testou positivo à covid-19 e esteve internado 10 dias na Clínica Endiama, na Ilha do Cabo, em Luanda.

“Papá Kapela, como era carinhosamente chamado, influenciou diretamente uma geração de jovens artistas angolanos que emergiram nos últimos anos e que se afirmam, cada vez mais, além fronteiras”, destacou a mensagem de condolências do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente.

“Homem modesto, mas de incalculável magnitude artística sempre viveu em condições adversas, primeiro no edifício da UNAP, União Nacional dos Artistas Plásticos, depois no Beiral, tendo passado ainda pelos bairros Palanca e Vila Alice”, acrescentou a nota.

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