Angola regista quinto ano de recessão com taxa de crescimento nula para 2021 - Plataforma Media

Angola regista quinto ano de recessão com taxa de crescimento nula para 2021

Angola vai registar pelo quinto ano consecutivo taxas de crescimento negativas, prevendo até ao final deste ano uma recessão de cerca de 3,3% e para 2021 uma taxa global de crescimento nula, assumiu hoje o Governo.

A informação foi hoje avançada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, após a entrega da proposta de lei do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2021 à Assembleia Nacional.

Manuel Nunes Júnior disse que Angola tem tido um crescimento negativo desde 2016, prevendo-se que a curva negativa chegue à base em 2021, “para depois começar a crescer”.

“Para 2021, consideramos que vai ser o ano em que vamos fazer a inflexão da curva. Temos uma curva negativa, vamos chegar à base para depois começar a crescer, a ideia é que em 2021 tenhamos uma taxa global de crescimento nula, zero”, frisou.

O governante considerou que apesar do quadro, “o mais importante a referir é que o setor não petrolífero vai crescer 2.1%”, o que é importante por ser o setor que mais gera empregos.

“Estamos a falar da agricultura, agroindústria, da indústria extrativa, da indústria transformadora, da construção, das pescas. Todos esses setores, que são intensivos em mão-de-obra, terão um crescimento de 2.1%”, apontou, enquanto o setor petrolífero terá um crescimento negativo previsto de 6,2%.

“Pensamos que em 2021 iniciaremos um processo de início da retoma económica do país”, adiantou.

O ministro considerou que a proposta de OGE para 2021, com receitas e despesas de 14,78 biliões de kwanzas (19,3 mil milhões de euros), elaborado com o preço conservador de referência de 39 dólares (33,3 euros) por barril de petróleo, contra os 40 dólares perspetivados pelas agências económicas internacionais, apresenta um défice fiscal de cerca de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo Manuel Nunes Júnior, desde 2018 que Angola vinha registando superavits fiscais, depois de défices em 2016 e 2017, graças ao Programa de Estabilização Macroeconómica que o executivo vem levando a cabo.

Em 2019, foi igualmente registado um superavit fiscal, mas no ano em curso, devido à situação da pandemia de covid-19 vai haver um défice fiscal de cerca de 1,5% do PIB.

“Mas a previsão no OGE revisto de 2020 era que teríamos um défice de 4% do PIB. Portanto, interrompemos em 2020 a trajetória de superavits fiscais que estávamos a ter e em 2021 vamos também continuar a ter um défice fiscal de cerca de 2,2 % do PIB”, afirmou.

Já as perspetivas para o próximo ano “continuam envoltas em incertezas”, devido à situação global de pandemia que irá condicionar muito a dinâmica do crescimento económico a nível internacional.

Por isso, prosseguiu Manuel Nunes Júnior, considerando todas as incertezas, a proposta de OGE para 2021 apresenta um preço de petróleo conservador, para o país estar preparado para eventuais situações difíceis.

“Tudo que aparecer acima disso será sempre um bónus para nós e para a economia do país”, enfatizou, garantindo que para o orçamento do próximo ano, o Governo vai prosseguir com dois grandes objetivos, nomeadamente o da continuação da consolidação fiscal e da revitalização da vida produtiva.

No que se refere ao primeiro objetivo, o desafio é ter as finanças públicas controladas, sobretudo a dívida pública, fazendo com que continue a manter-se controlada e em níveis que não coloquem o país numa situação de insustentabilidade.

“A nossa dívida tem estado a aumentar de ponto de vista nominal, sobretudo porque em 2019, o kwanza sofreu várias desvalorizações, e como a nossa dívida externa é denominada em dólares, a conversão em kwanzas, tendo a moeda nacional perdido valor, são precisos muito mais kwanzas, então em termos nominais a dívida aumenta”, explicou.

O outro grande objetivo é continuar a aumentar a produção nacional de modo significativo, para reduzir as importações, diversificar as exportações e fazer com que a economia seja menos dependente de recursos petrolíferos e, por conseguinte, menos vulnerável aos choques externos, como a variação do preço do petróleo no mercado internacional.

Relativamente à inflação, Manuel Nunes Júnior disse que para este ano devido à pandemia estima-se que venha situar-se à volta dos 25%, contra os 17% em 2019.

“Houve aqui um crescimento de 17% para 25%. Para 2021, haverá uma tendência para decrescer a taxa de inflação e retomarmos a trajetória em que já estávamos, de decréscimo da taxa de inflação, por isso prevê-se uma taxa de inflação acumulada de fim de período de cerca de 18,7%”, indicou.

Manuel Nunes Júnior sublinhou que as consequências da crise económica e financeira mundial são enormes para Angola, tanto que em julho passado teve de proceder a uma revisão do OGE deste ano.

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