Início » Calota polar ártica atinge segundo nível mais baixo já registado

Calota polar ártica atinge segundo nível mais baixo já registado

Filipe Sousa

A calota polar ártica registrou a sua segunda menor área de superfície neste verão boreal desde que os registos começaram há 42 anos. Este ano, a área mínima de 3,74 milhões de quilómetros quadrados foi medida em 15 de setembro, de acordo com o National Snow and Ice Center (NSIDC) da University of Colorado Boulder.

A calota polar ártica é o manto de gelo que se forma no mar nessas altas latitudes e, a cada ano, uma parte dele derrete no verão para se formar novamente no inverno. No entanto, com o aquecimento global, a cada verão uma porção maior se derrete e não consegue ser reconstruída no inverno, reduzindo cada vez mais sua superfície.

Os satélites observam essas áreas com muita precisão desde 1979 e a tendência de queda é nítida, segundo relata a AFP.

“Foi um ano louco no norte, com o gelo marinho quase no nível mais baixo da história, ondas de calor na Sibéria e enormes incêndios florestais”, disse Mark Serreze, diretor do NSIDC. “Estamos a caminhar rumo a um Oceano Ártico sem gelo sazonal”, lamentou.

A Gronelândia está a aquecer duas vezes mais rápido di que o resto do planeta.

Impacto no clima

O degelo não contribui diretamente para o aumento do nível do mar, uma vez que o gelo já está na água, mas causa isso indiretamente, porque quanto menos gelo, menos os raios solares se refletem e são absorvidos em maior quantidade pelos oceanos, aumentando sua temperatura.

“Isso tem um impacto no sistema climático”, disse à AFP Claire Parkinson, meteorologista da NASA, cujos satélites medem o gelo nos polos.  “O frágil manto de gelo deste ano está em linha com a tendência de declínio observada ao longo de quatro décadas”, acrescentou. 

E inegável a acumulação de evidências da diminuição da camada de gelo, tanto em superfície quanto em espessura, em terra, mar e geleiras, no Ártico e na Antártica, mesmo que a taxa seja diferente de um lugar para outro. 

Assim, o gelo marinho da Antártica derreteu rapidamente por três anos até 2017, mas nos últimos anos recuperou pouco, sem ficar claro quais os motivos.

No Ártico, o declínio foi mais acentuado desde 1996, explicou Parkinson, embora haja variações de ano para ano. 

O calota do norte pode até desaparecer mais rápido do que os modelos climáticos preveem, de acordo com um estudo publicado na revista Nature em julho. Isso altera o ecossistema (os ursos dependem da camada de gelo para capturar focas) e o modo de vida dos esquimós na Groenlândia. 

“Com o degelo do Ártico, o oceano vai absorver mais calor e todos ficaremos expostos aos efeitos devastadores das mudanças climáticas”, estima Laura Meller, da Greenpeace, que está a bordo de um navio que deixou o arquipélago norueguês de Svalbard e estava na borda de gelo na segunda-feira. 

“Quando olho pela janela [do barco], é difícil para mim lembrar que estou observando uma emergência climática em tempo real”, disse à AFP por telefone. 

Os líderes mundiais, que participam numa reunião sobre clima e biodiversidade nas próximas duas semanas na ONU, não podem ignorar o problema.

No ano passado, especialistas em clima das Nações Unidas adotaram um relatório sobre oceanos e criosfera (gelo, geleiras, calotas polares e pergelissolos), que alerta contra as catástrofes num mundo 2° Celsius mais quente que a era pré-industrial. 

O planeta já adicionou 1° C.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website