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Médicos e a arte de bem escrever

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O espírito criativo, natural ou adquirido, possibilita, considera a UMEAL, “uma maior acuidade na observação dos doentes e um melhor fluxo da informação armazenada nas células cerebrais”.

A Fundação Rui Cunha (FRC) e a União de Médicos Escritores e Artistas Lusófonos (UMEAL) apresentaram no passado sábado o primeiro Congresso Virtual dedicado à literatura e às artes entre a classe médica radicada nos países e territórios de língua portuguesa.

O evento, intitulado “Palavras, cores e formas de um velho novo tempo”, foi transmitido em directo via Facebook na página da FRC, uma vez que os membros se encontram confinados geograficamente devido à pandemia de Covid-19. “Os discípulos de Hipócrates, além de aliviar e curar os males do corpo, também “auscultam” os seus talentos e debruçam-se sobre outras modalidades de expressão artística que trazem algum lenitivo e mais beleza à alma”, pode ler-se no comunicado enviado às redações.

Com intervenções desde 21h (hora local), os diversos representantes médicos dos países agregados puderam discutir a medicina, a literatura e a arte em geral, possibilitando o congraçamento literário, artístico e de amizade entre os intervenientes.

Com moderação de Shee Va, médico gastroenterologista de Macau, a sessão contou, por exemplo, com a poesia do bacteriologista Paulo Camelo de Andrade Almeida ou com a fotografia do Professor João Schwalbach, do Comité Nacional de Bioética para a Saúde de Moçambique, passando pela prosa da psiquiatra Maria Luís Quintela ou pela pintura de Denner Sampaio, especialista brasileiro em Medicina Preventiva e Social. A cantora, compositora, escritora e poetisa paulista Renata Iacovino, que tem livros de poesias e diversos CDs editados, interpretou, em voz e guitarra acústica, a música Fanatismo com letra de Florbela Espanca e composição de Fagner.

O congresso, de acordo com a organização, permitiu “promover o intercâmbio cultural e trocar experiências artísticas, avivando a amizade entre os povos e, neste caso, entre os médicos falantes da língua portuguesa”. “A arte é sublime! A nossa atividade não-científica encontrou, pela comunhão da língua portuguesa, reduto na UMEAL, entidade que permitiu que o palco da vida de um médico saísse de corredores de ambulatórios e hospitais para encontrar guarida na expressão de sua arte”, disse a médica brasileira Josyanne Franco, presidente da UMEAL, no discurso de abertura do encontro.

O espírito criativo, natural ou adquirido, possibilita, considera a UMEAL, “uma maior acuidade na observação dos doentes e um melhor fluxo da informação armazenada nas células cerebrais”. Não é de admirar, por isso, que a criatividade tenha abraçado grandes cientistas médicos, dos quais a instituição cita, como exemplos, o Nobel da Medicina do ano de 1945, Alexander Fleming, o pai dos antibióticos, o russo Anton Tchekov e o inglês Oliver Sachs. Em língua portuguesa, podemos lembrar Miguel Torga, Fernando Namora, Jaime Cortesão e Abel Salazar.

A UMEAL congrega associações médicas de língua portuguesa de Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique e Macau. 

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