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É comum aprender outras culinárias no Japão – Miki Yoshihito

Solange Safrão

A gastronomia italiana tem sido uma das mais apreciadas e conhecidas no mundo inteiro. É famosa pelas pizzas, massas e risotos. Os pratos e os ingredientes variam de região em região em Itália, mostrando a riqueza e diversidade da gastronomia italiana. A culinária italiana tem um cantinho em quase todo mundo e não é diferente no Japão. O PLATAFORMA de Sabores esteve à conversa com Miki Yoshihito, chef e cozinheiro Japonês que se especializou na culinária italiana. 

Miki Yoshihito é o chef do Caffé B, um restaurante italiano aconchegante e estiloso que fica à beira do lago Nam Van. É um recanto para experimentar os sabores mais simples e leves do sul da Itália. 

O chef teve contacto com a culinária italiana no Japão. Nascido em Ibaraki, começou a trabalhar aos 18 anos num restaurante francês e, aos 20 anos, o interesse e paixão pela cozinha italiana despertou. 

O primeiro contacto com a gastronomia italiana aconteceu em casa. Os pais são donos de um restaurante no Japão e teve o privilégio de estar perto do alvoroço de uma cozinha. Desde pequeno que começou a germinar a vontade de seguir uma carreira como chef. Isso nunca mudou. Aí pelos quatro, cinco anos, preparou “o primeiro prato: ovo estrelado”.  

Há vários restaurantes italianos no Japāo e Miki sempre foi curioso e manteve o sonho de aprender a confecionar comida italiana. 

O chef do restaurante onde eu trabalhava era italiano. Mantivemos contacto mesmo quando regressou a Itália” explicou.

Yoshihito foi convidado então para fazer um curso de culinária em Itália. Foi ali que aperfeiçoou as técnicas de cozinha e as receitas italianas. 

“Quando tive a oportunidade de ir aprender em Itália, quis compreender muito bem as técnicas de cozinha das famílias Italianas. Por isso optei por trabalhar num restaurante local e tradicional,” disse.

Em 2012 foi convidado para trabalhar em Macau e aceitou de imediato. Aqui chegado, o primeiro desafio foi o da língua, pois não sabia falar cantonês. Ao longo do tempo foi aprendendo a língua local e, hoje em dia, considera esse passo como “uma grande vitória para a carreira”. “Aprendi uma nova língua”, acentuou. 

“Ao princípio queria trabalhar em Macau apenas durante um ano, mas acabei por gostar e por aqui estou já lá vão praticamente nove anos,” indicou. 

Apesar de gostar muito da comida italiana, prefere os ingredientes japoneses. Disse adorar um bom arroz japonês e preferir receitas japonesas caseiras. É um apreciador de coisas simples e por isso o prato italiano preferido é massa com molho de tomate. 

Yoshihito tem usado técnicas japonesas e italianas para criar uma fusão dos sabores nos pratos que confeciona. 

“Costumo fazer sashimi com molho de esparguete. As vezes misturo peixe e vegetais japoneses na massa. Os meus pratos mais criativos incluem os ingredientes das duas culinárias, mas utilizo sempre a técnica italiana como base para confecionar um prato,” explicou.

Yoshihito tem vários “pratos de assinatura”. O mais famoso é baseado na massa orecchiette, (com o formato de orelha). A massa é original da Apúlia, uma região do Sul da Itália.

“Infelizmente não temos esse prato no menu habitual do Caffé B porque demora muito tempo a produzir. Costumamos incluir no menu de recomendação especial”, esclareceu. 

A Apúlia é uma região grande produtora de alimentos, incluindo, designadamente trigo, tomate, abobrinha, brócolos, pimentão, batata, espinafre, beringela, couve-flor, erva-doce, endívia, grão-de-bico, lentilha, feijão e queijo (como o tradicional queijo caciocavallo). 

A região é também a maior produtora de azeite em Itália. O mar oferece abundantes peixes e frutos do mar, amplamente utilizados na culinária regional, principalmente ostras e mexilhões.

“Nunca estive em Portugal, mas já provei comida apresentada como portuguesa aqui em Macau. Não sei se é originalmente portuguesa. Por isso não posso dizer se gosto ou não da comida portuguesa,” esclareceu. 

Ao longo da conversa, Miki revelou a sensação de ser um japonês especializado numa culinária que não a do seu país. “Sei que os europeus podem até estranhar a minha capacidade em confecionar pratos italianos, mas foi por isso que tomei a iniciativa de ir aprender lá, para poder cozinhar tal e qual um italiano”, concluiu. 

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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