Seul quer discutir com Tóquio litígio sobre trabalhos forçados - Plataforma Media

Seul quer discutir com Tóquio litígio sobre trabalhos forçados

O Presidente da Coreia do Sul disse este sábado estar pronto a reunir-se com o primeiro-ministro do Japão para resolver a questão das compensações de coreanos forçados a trabalhar durante a ocupação nipónica na Segunda Guerra Mundial.

Moon Jae-in lançou esta proposta a Shinzo Abe, no discurso que proferiu por ocasião do Dia da Libertação, assinalado também no Japão como o 75.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial.

“O Governo (sul-coreano) consultou o Japão para chegar a uma resolução com a qual as vítimas possam estar de acordo, e deixa aberta a porta para consultas também neste momento”, afirmou Moon, num discurso transmitido pela televisão sul-coreana.

“Estamos prontos a sentar-nos frente a frente com o Governo japonês a qualquer momento”, sublinhou o chefe de Estado sul-coreano, e adiantou esperar que “os esforços conjuntos do Japão e da Coreia do Sul para respeitar os direitos humanos individuais possam converter-se numa ponte para a amizade e a cooperação no futuro”.

No entanto, Moon reafirmou que Seul vai respeitar a decisão do Supremo Tribunal sul-coreano que, em 2018, condenou a empresa japonesa Nipon Steel a compensar os cidadãos sul-coreanos obrigados a trabalhar para uma antiga filial da companhia durante a Segunda Guerra Mundial, em condições de escravatura.

A decisão da Justiça sul-coreana contribuiu para deteriorar as já tensas relações bilaterais, devido ao domínio japonesa na península coreana (1910-1945), e resultou também em represálias comerciais e diplomática do Japão, às quais o Governo sul-coreano respondeu com medidas idênticas.

Tóquio defendeu que as compensações para mais de um milhão de sul-coreanos explorados durante a ocupação foram resolvidas com o tratado de 1965 para normalizar as relações entre os dois países.

Com este acordo, a junta militar de Park Chung-hee (1963-1979) recebeu de Tóquio centenas de milhões de dólares que foram investidos, na grande maioria, em indústrias e infraestruturas básicas, motivo pelo qual milhares de vítimas processaram recentemente o Estado sul-coreano.

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