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Três mil milhões anuais podem acabar com casamento infantil e mutilação

Cerca de 3,4 mil milhões de dólares (três mil milhões de euros) anuais até 2030 podem terminar com estas práticas. Assim acaba o sofrimento de 84 milhões de jovens, segundo a ONU

A conclusão destes casos de casamento infantil e mutilação genital consta no relatório anual do Fundo de População da ONU divulgado esta terça-feira

De acordo com a agência, um em cada cinco casamentos que ocorrem hoje é com uma jovem menor de idade. Estima-se que 4,1 milhões estão em risco este ano de serem submetidas à circuncisão feminina, uma prática condenada pelas Nações Unidas.

Pelo menos 19 práticas prejudicam milhões destas crianças e jovens e são consideradas violações dos direitos humanos.

O relatório concentra-se nas três mais prevalentes: discriminação de género, casamento infantil e mutilação genital feminina. “Casais esforçam-se para evitar dar à luz uma menina ou deixam de cuidar da saúde e bem-estar de uma filha que já têm em casa em favor do filho”.

O UNFPA designou a preferência por filhos como “um sintoma de desigualdade de género entrincheirada ” que distorceu as proporções populacionais nos países. Isto fazendo com que se torne quase impossível para um grande número de homens encontrar parceiros e ter filhos.

A agência sublinhou que também pode exacerbar a violência de género, incluindo a violação, sexo coagido, exploração sexual, tráfico e casamento infantil.

Práticas de famílias

Quanto ao casamento infantil, o relatório disse que a prática “é comummente imposta às crianças e jovens por membros da família, membros da comunidade ou da sociedade em geral, independentemente de a vítima dar ou ser capaz de dar consentimento completo, livre e informado”.

Os casamentos de crianças são quase universalmente proibidos, disse o UNFPA, mas “ainda acontecem 33 mil vezes por dia, todos os dias, em todo o mundo – atravessando países, culturas, religiões e etnias”.

No relatório afirma-se que 650 milhões de jovens e mulheres casaram quando eram ainda crianças e que outras 200 milhões sofreram mutilação genital feminina.

A diretora executiva do UNFPA, Natalia Kanem, disse que as leis por si só não são suficientes para acabar com estas práticas.

No relatório apela-se à reestruturação de economias e sistemas legais para garantir às mulheres a igualdade de oportunidades.

Como exemplo, defende-se a mudança das regras de herança de propriedade pode eliminar um poderoso incentivo para que as famílias favoreçam os filhos em detrimento das filhas e ajudar a eliminar o casamento infantil.

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