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Guiné-Bissau exonera cinco ministros do Governo de Nuno Nabian

Lusa

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, exonerou hoje cinco ministros do Governo liderado por Nuno Nabian, que pediram a sua demissão por “razões pessoais”, segundo um decreto divulgado à imprensa.

O chefe de Estado exonerou os ministros da Defesa, Sandji Fati, do Interior, Botche Candé, da Economia, Victor Mandinga, da Agricultura, Abel da Silva Gomes, e dos Recursos Naturais e Energia, Jorge Malú.

“As funções dos ministros exonerados serão asseguradas pelo primeiro-ministro até novas nomeações”, acrescenta o decreto, que entrou hoje em vigor.

Sandji Fati, Victor Mandinga e Abel da Silva Gomes foram eleitos deputados pelo Movimento para a Alternância Democrática da Guiné-Bissau (Madem-G15) e integraram o Governo nomeado por Umaro Sissoco Embaló, após ter tomado posse como Presidente do país e demitido o executivo chefiado por Aristides Gomes.

Jorge Malú e Botché Candé são deputados eleitos pelo Partido de Renovação Social nas últimas legislativas.

Quando integraram o Governo de Nuno Nabian não foram substituídos nos seus lugares enquanto deputados, porque não houve sessão plenária na Assembleia Nacional Popular.

Na sexta-feira, um outro deputado do PRS foi exonerado das funções de diretor-geral dos Portos da Guiné-Bissau.

O parlamento da Guiné-Bissau reúne-se a partir de segunda-feira e até 07 de agosto para discutir a atual situação política do país e definir que tem a maioria parlamentar.

A Guiné-Bissau está a viver um período de especial tensão política com o parlamento guineense dividido em dois blocos com ambos a reivindicarem a maioria parlamentar e a defenderem o seu direito de formar Governo.

A crise política agudizou-se depois de não ter havido entendimento entre as várias partes para formar um Governo, até 22 de maio, que respeitasse os resultados das eleições legislativas de 2019, ganhas pelo PAIGC.

O prazo dado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que tem mediado a crise política no país, não foi respeitado, nem o de 18 de junho dado pelo chefe de Estado guineense, Umaro Sissoco Embaló.

O Presidente guineense, que admitiu dissolver o parlamento caso não houvesse entendimento entre as várias fações políticas, disse agora que vai esperar pela sessão plenária marcada para segunda-feira, onde será determinado quem tem a maioria parlamentar.

O PAIGC venceu as legislativas de março de 2019 sem maioria e fez um acordo de incidência parlamentar com a APU-PDGB, Partido da Nova Democracia e União para a Mudança, obtendo 54 dos 102 assentos no parlamento.

Logo no início da legislatura, o líder da APU-PDGB, Nuno Nabian, incompatibilizou-se com o PAIGC e aliou-se ao Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), segunda força política do país, com 27 deputados, e Partido da Renovação Social, que elegeu 21 deputados.

Apesar da nova aliança, quatro dos cinco deputados da APU-PDGB mantiveram a sua lealdade ao acordo de incidência parlamentar assinado com o PAIGC.

O PAIGC confirmou hoje que não vai participar na sessão prevista para segunda-feira.

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