Aprendizagem: um mal nunca vem só - Plataforma Media

Aprendizagem: um mal nunca vem só

O chefe do Executivo, Ho Iat Seng, anunciou durante a apresentação das Linhas de Ação Governativa, que o Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo (PDAC) não será aplicado este ano. A área da educação, já muito afetada pela pandemia, sofre assim novo revés. Escolas de condução alertam que a suspensão do programa terá um impacto sobre a indústria maior do que o vírus. Outras instituições de ensino afirmam que a Direção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), ao não reconhecer as aulas online, associada à falta de interesse dos alunos nesta modalidade de ensino, terá levado à suspensão do PDAC. Há quem defenda que “existem mais soluções do que problemas” e que os cupões de consumo eletrónico podem atrair os estudantes. 

“Muito poucas pessoas estão atualmente a marcar exames de condução. No ano passado recebíamos mais de cinco pedidos por dia. Agora recebemos duas a três pessoas e em alguns dias não temos qualquer marcação”. A afirmação é de Shirley Ieong uma das proprietárias da Escola de Condução HAP KUAN. Lembra que os custos para tirar a carta são elevados. A carta de condução de ligeiros custa, pelo menos, 10 mil patacas. Com a suspensão do PDAC baixou o número de alunos. “Por exemplo – continua – as licenças de condução de pesados, como tratores e autocarros, custam cerca de 15 mil patacas. A maioria dos que tiram esta carta fazem-no por motivos profissionais. Mas muitos acabam por vir aqui e saem sem se inscreverem. Os custos são elevados e sem poderem recorrer ao PDAC Nem consideram usar a comparticipação pecuniária para cobrir os custos”. 

Shirley entende que se o Governo continuasse a aplicar o PDAC, haveria quem continuasse interessado em tirar a carta, independentemente da pandemia. 

“Em comparação com o vírus, o impacto da suspensão do plano é muito maior, podendo ser a morte de muitas escolas de condução”, adverte. 

Para Steven Wong, responsável pelo Centro de Educação Unnamed, o propósito do PDAC é melhorar o nível de educação da população, ajudando a restruturar a economia e levar as pessoas a encontrar uma nova carreira. A suspensão do programa desincentivou à inscrição nestes cursos. Porém, acredita que o negócio regressará com a retoma. “No passado, estes programas eram uma grande fonte de rendimento. Este ano, sem a existência do programa, iremos criar diferentes planos de pagamento, novas estratégias de marketing e até aceitar pagamentos através de cartões de consumo eletrónico, na esperança de atrair mais pessoas”. O responsável acredita que ao oferecer planos de pagamento atrativos irá conseguir atrair o mercado. “Nada dura para sempre. A receita será sem dúvida inferior a anos anteriores, mas este é um problema da própria indústria. Acredito que existem mais soluções do que problemas, só precisamos é de as criar”, afirma, otimista. 

A DSEJ NÃO RECONHECE AULAS ONLINE 

Steven partilha também que devido ao impacto da pandemia, o centro oferece serviços de ensino online, principalmente através da rede social Facebook, embora reconheça que poucos alunos participam nestas aulas. Antes, as presenças nas aulas rondava os 90 por cento entre os inscritos, agora, com as aulas online, esse valor caiu para cerca de metade. A DSEJ, ao não reconhecer as aulas online, leva Steven a fazer “alguns sacrifícios” para continuar a utilizar este método. “Devido à atual pandemia não oferecemos aulas tradicionais, mas queremos continuar com o ensino, sem restrições de lugar”, diz. A DSEJ em resposta ao PLATAFORMA afirma que, tendo em conta que os cursos inseridos no PDAC recebiam fundos públicos, a administração discutiu com as diferentes empresas o uso do ensino online. A direção reconhece, porém, que ainda não conseguiu desenvolver uma forma de identificar os alunos no âmbito deste método de ensino. Assim sendo, o ensino online poderá ser usado como um método auxiliar, mas não como base para calcular a presença e participação dos alunos. 

Por exemplo, os cursos de língua portuguesa do Instituto Português do Oriente (IPOR), reconhecidos pelo Governo, têm atraído alunos com acesso ao PDAC. Todavia, o único método de avaliação autorizado para estes cursos são aulas presenciais. O Instituto, num email enviado aos alunos no início de abril, indicou que os abrangidos pelo PDAC poderiam escolher entre o ensino presencial ou online, desde que a assiduidade total fosse superior a 80 por cento, e a presencial correspondesse a 60 por cento. Ou seja, o restante tempo podia ser substituído por aulas online e outros trabalhos, permitindo aos alunos ir a exame e receberem o certificado. O IPOR explica ainda como valida o ensino online. “Depois da aula, através da câmara, é confirmada a identidade de cada aluno”. O PLATAFORMA perguntou à DSEJ se reconhece a participação em aulas online de alunos que beneficiam do PDAC, cumpridos que sejam os regulamentos dos diferentes estabelecimentos, num contexto extraordinário como o atual, mas não obteve resposta. 

MEI MEI WONG 30.04.2020

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