Lojas à espera de clientes - Plataforma Media

Lojas à espera de clientes

O surto de novo coronavírus já deixa marcas em Macau há três meses, reduzindo drasticamente o número de visitantes que a cidade recebe. Algumas lojas do centro da cidade exibem agora anúncios a dizer “Passa-se” ou “Aluga-se”, e as que ainda estão abertas tentam sobreviver à crise, avançando com promoções. Segundo a Associação Comercial de Macau muitas pequenas e médias empresas (PME´s) aguardam pelo retomar da atividade económica, não querendo avançar já para a decisão definitiva de encerramento. 

Lei Cheok Kuan, Presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau, Distritos Centro e Sul, em declarações ao PLATAFORMA adianta que existem várias razões para as lojas vazias. Alguns comerciantes não querem abrir por preverem que não terão clientes e, noutros casos porque os funcionários podem não ter conseguido ainda regressar a Macau.
“Alguns trabalhadores destas lojas ainda não regressaram a Macau e por isso muitos comerciantes acreditam que sem eles mais vale não abrirem as lojas. Muitos estabelecimentos não estão fechadas por falta de vontade dos proprietários”, diz.
Esclarece que muitas PME´s estão a aguardar para evitar iniciarem uma onda de encerramentos, mas advertiu que isso poderá vir ainda a tornar-se uma realidade. 

LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA
Atualmente, diversas lojas continuam ainda abertas ao público e com uma série de promoções para atraírem clientes. Lei Cheok Kuan afirma que os donos destes pequenos e médios negócios de Macau lutam pela sobrevivência das lojas e por isso estão a oferecer preços reduzidos em todos os distritos da cidade.
“Estamos todos a passar pelo mesmo processo, esperando que os negócios sobrevivam. Tendo em conta que, presentemente várias destas empresas podem não ter capacidade para gerar receitas suficientes para subsistir, e isso só pode acontecer com os empréstimos especiais do Governo destinados aos negócios afetados”, admite.
O segmento empresarial espera poder beneficiar destas ajudas governamentais, mesmo indiretas, como a decisão de atribuir aos residentes cartões de consumo eletrónico de 8.000 patacas (3.000+5.000), para manter as lojas abertas. Lei Cheok Kuan salienta ainda que alguns têm conseguido continuar com os negócios devido a poupanças realizadas nos últimos anos, e que os fornecedores e lojas da cidade devem comunicar entre si para encontrarem uma forma de reduzir a pressão sobre os comerciantes.
A situação nas zonas turísticas e residenciais da cidade são diferentes, visto que o impacto da epidemia sobre as primeiras é muito maior. Segundo Lei Cheok Kuan, ninguém quer despedimentos, visto que estes nunca são bons para empresas e funcionários.
“Em caso de encerramento, além de ser preciso pagar indemnizações aos empregados, é ainda necessário continuar a pagar a renda e todo o interior [recheio] da loja é perdido”, lembra. O responsável reconhece que estas empresas que atravessam um momento difícil contam com a ajuda do Governo para poderem prosseguir os negócios. 

MERCADO LOCAL GARANTE OS NEGÓCIOS?
Lei Kuok Fai, vice-presidente da Associação Comercial Federal Geral das Pequenas e Médias Empresas de Macau, entende, em conversa com o PLATAFORMA, que a onda de encerramentos é gradual e, felizmente Macau ainda não viveu essa situação. Questiona também a forma como uma cidade centrada no turismo poderá, com uma população de 600 mil pessoas, suportar os setores de comércio de todo o território. “São necessários turistas”, sustenta. E justifica: “no contexto atual, como podem empregados e empregadores das PME´s suportar este declínio”. Por isso, Lei Kuok Fai destaca a importância dos apoios oficiais e das medidas em curso e o quanto as empresas agradecem. No entanto, adianta, cabe ao Governo garantir que estas são vastas e abrangentes.
Segundo Lei Kuok Fai, a suspensão de atividade comercial é já bastante comum, e por isso deverá seguir-se uma onda de encerramentos e despedimentos.
“Tem havido uma grande entreajuda no comércio de Macau, o que demonstra o verdadeiro espírito de entreajuda dos cidadãos. Porém, se a situação piorar não haverá outra solução”, antevê.
Para Lei Kuok Fai, as empresas para já podem apenas viver o dia-a-dia, esperando pelo menos sobreviver até ao próximo trimestre. Caso seja possível recomeçar rumo a uma recuperação no espaço de um trimestre, o responsável acredita que as empresas estão dispostas a aguentar a crise, juntamente com o governo. 

JOHNSON CHAO, MEI MEI WONG 24.04.2020

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