A NITL foi a primeira e, outrora, a maior seguradora do emergente mercado de Timor-Leste. Da carteira de mais de 500 clientes faziam parte, embaixadas, organizações internacionais e o próprio Governo timorense.
Hoje a empresa está sob administração do supervisor, o Banco Central de Timor-Leste (BCTL), há inúmeros processos contra antigos e atuais responsáveis e a NITL está, praticamente, com a atividade suspensa.
Acionistas da seguradora trocam acusações sobre a responsabilidade pela situação da empresa que levou à intervenção do BCTL e à apresentação de suspeitas de vários crimes financeiros ao Ministério Público (MP).
Eugene Ong, sócio minoritário da NITL, deu à Lusa, em Díli, a sua visão sobre um caso que, alegadamente envolve desvios de fundos da empresa pelo sócio maioritário, Collin Yap. Este, também em declarações à Lusa, a partir de Singapura, desmentiu essas informações, classificando-as como “politicamente motivadas”.
Em setembro, o BCTL anunciou ter levado ao MP um processo por suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro contra os responsáveis da empresa. Segundo o banco central, uma investigação própria detetou “um número de sérias irregularidades procedimentais e financeiras em violação da Lei dos Seguros, incluindo desvio de fundos, cometidas por altos responsáveis” da NITL.
As versões de Ong e Yap contradizem-se, com o primeiro – que denunciou a situação ao BCTL – a acusar o segundo de ter desviado fundos para despesas pessoais e dinheiro para projetos noutras empresas e o segundo a dizer que o BCTL violou a lei e que Eugene Ong está motivado por uma disputa pessoal.
Ong detém 30 por cento da NITL, com o controlo a ser de Collin Yap (40 por cento) e da empresa que este detém, a First Capital (30 por cento). Ong e Yap, além de sócios são cunhados.
Collin Yap está atualmente em Singapura onde é diretor executivo da Jardine Lloyd Thompson (LPT) Asia, uma das principais resseguradoras do mundo. Em declarações à Lusa por telefone, negou quaisquer irregularidades, acusando o BCTL de “motivações políticas”.
Acusações de violação da lei
“O que o BCTL fez foi contra a lei. Nenhum dos diretores foi chamado para entrevistas ou questionado. Nunca me chamaram. Disponibilizei-me para lá ir e eles nunca quiseram”, assegurou Yap. Já o BCTL noticiou que pediu esclarecimentos aos responsáveis da NITL e que estes responderam.
Eugene Ong justificou as denúncias às autoridades com base em alegadas irregularidades.
“Dei conta de que havia valores de despesas pessoais do Colllin cobrados à empresa. Coisas que, normalmente, não poderiam fazer parte dos gastos da NITL”, afirmou. Acusou ainda Yap de ter desviado dinheiro da NITL para outra empresa da qual é também sócio. E mostrou à Lusa documentos que, alegadamente confirmam aquelas acusações. Yap desmentiu-as e sobre o alegado desvio, esclareceu que se tratou de “um empréstimo legítimo entre empresas”.
António Sampaio 19.10.2018
Exclusivo Lusa/Plataforma Macau