Transporte aéreo em Macau deve atrair mais companhias low-cost e oferecer mais escalas - Plataforma Media

Transporte aéreo em Macau deve atrair mais companhias low-cost e oferecer mais escalas

Com cada vez mais ligações na região de Guangdong-Hong Kong-Macau, o mercado dos transportes aéreos também enfrenta, em simultâneo, uma situação complexa de competição e cooperação. Académicos da área dos transportes e membros da indústria turística consideraram, em declarações ao Plataforma, que Macau deve esforçar-se para encontrar o respetivo nicho de mercado, em particular criando condições para as companhias aéreas ‘low-cost’ poderem desenvolver-se no território ou alargando os serviços de escalas.

Manuel Vu lok Pui, membro do Conselho do Planeamento Urbanístico de Macau, acredita que a cidade deve tentar criar condições para atrair mais companhias aéreas ‘low-cost’ pois, além de fornecer mais opções de deslocação direta aos residentes locais, também oferece muitas vantagens na diversificação da origem dos passageiros e é um estímulo ao consumo local. Manuel Vu Iok Pui é também responsável pela agência de viagens Macau Explorer Travel Ltd, fornecendo aos turistas viagens personalizadas em rotas culturais.

“A cooperação com os diferentes aeroportos da região acontece entre Zhuhai, Shenzhen, Guangzhou, Hong Kong e Macau, mas ainda é possível fazer mais. (…) Não será possível complementar na área dos transportes marítimos? E não poderá o Aeroporto de Macau ter mais voos [com origem em Macau] para Lisboa, passando por Pequim, com a Beijing Capital Airlines? Neste aspeto, Macau deve tentar criar mais condições para atrair as companhias aéreas”, disse Manuel Vu ao Plataforma.

Nicho de mercado

Samuel Tong, diretor da Associação de Estudo de Economia Política de Macau, disse ao Plataforma que Macau precisa de encontrar o seu nicho de mercado, o qual poderá estar nas companhias low-cost e de aviação geral. O responsável acrescentou que atualmente Macau não possui uma das grandes vantagens do Aeroporto de Hong Kong, que é a sua capacidade de criar uma massa crítica, possibilitando assim algumas rotas populares.

“Um aeroporto, além de poder servir de ponto de chegada e de partida, também pode servir de ponto de ligação. Existindo mais voos, poderá haver competição e cooperação entre eles, como através do interlining: um passageiro voa até este aeroporto, e depois através de uma outra companhia aérea vai para um terceiro local”, referiu Samuel Tong, que é atualmente membro do Centro de Investigação Turística de Ciências Sociais da China.

“No que diz respeito a servir de ponto de partida ou chegada, o mercado em Macau é pequeno. Mas em Singapura, por exemplo, há muitas escalas, pois frequentemente nas viagens longas não há voos diretos. Se tivermos políticas abertas para a aviação civil, será também facilitado o transporte terrestre e os processos alfandegários. Os operadores de serviços aéreos terão então em vista, não só o mercado de Macau, mas de toda a zona do Delta do Rio das Pérolas. A capacidade de fornecer esta perspetiva é algo muito importante”, acrescentou Samuel Tong.

O Plataforma questionou Liu Xiaoyuan, diretora-geral da AirAsia na região de Hong Kong e Macau, para tentar conhecer a sua opinião sobre o desenvolvimento dos voos ‘low-cost’ em Macau, mas não obteve resposta.

Contudo, numa entrevista em junho deste ano ao Macau Daily, Liu Xiaoyuan comentou que com a iminente finalização e entrada em funcionamento da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, e com as pistas do aeroporto de Hong Kong quase saturadas, os novos voos irão priorizar as companhias locais e as viagens longas. Em Guangzhou e Shenzhen os voos possuem uma concentração semelhante, o que oferece uma oportunidade de desenvolvimento a Macau. Liu referiu também que as futuras rotas da AirAsia irão privilegiar Macau, atraindo os residentes de Hong Kong e do Delta do Rio das Pérolas a partirem do Aeroporto de Macau.

De acordo com os dados fornecidos pelo Gabinete de Comunicação Empresarial e Investigação de Políticas da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM), até ao terceiro trimestre deste ano, os passageiros de companhias aéreas ‘low-cost’ representaram cerca de um terço do total de passageiros chegados a Macau por via aérea. Maioritariamente oriundos da região local – Delta do Rio das Pérolas -, e do Leste e do Sul da China. Olhando para o período entre 2014 e 2016, esta proporção manteve-se semelhante.

Macau ainda não divulgou os dados públicos oficiais do terceiro trimestre relativos ao turismo, mas de janeiro a agosto o número de passageiros externos a entrar no território a partir do Aeroporto de Macau ultrapassou os 1,77 milhões, um aumento homólogo de 11%. São originários, principalmente da China continental, Taiwan e Coreia do Sul.

O Plataforma perguntou aos responsáveis do Aeroporto Internacional de Macau se atualmente existem mais companhias ‘low-cost’ a mostrar interesse em estabelecer presença no território, assim como quais as principais considerações ao entrar no mercado local, mas não obteve uma resposta direta.

“Na verdade, há dados estatísticos que mostram que, dentro da região do sudeste asiático, o crescimento anual da procura de transporte aéreo de passageiros se situa nos 4%-5%, (…) e isso dá-nos boas perspetivas para o desenvolvimento do setor”, referiu o Gabinete de Comunicação Empresarial e Investigação de Políticas da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM).

Os dados citados pelo gabinete em questão incluem as previsões relativas à procura de transporte de passageiros nos próximos vinte anos publicadas em novembro do ano passado pela Associação Internacional de Transportes Aéreos (AITA). Estes valores indicam que até 2035, com o aumento anual de passageiros nos voos com origem ou chegada na Ásia-Pacífico, irá atingir-se os 1,8 mil milhões de pessoas, num universo total de mercado de 3,1 mil milhões de passageiros. A taxa de crescimento anual da procura de transporte será de 4,7%, fazendo deste o segundo mercado com maior crescimento a seguir ao do Médio Oriente.

Atualmente, entre as 38 companhias aéreas com rotas em Macau, 15 são ‘low-cost’: Spring Airlines, Tigerair Taiwan, Thai AirAsia, Scoot, AirAsia, Cebu Pacific Airlines, Philippines AirAsia, Indonesia AirAsia, Jin Air, T’way Airlines, Air Seoul, Jeju Air, Air Busan, VietJet e Lanmei Airlines. 

Shao Hua

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