Bissau e Maputo procuram em Macau investimento para energia

por Arsenio Reis

A Guiné-Bissau obteve na última semana, na região, um memorando com empresas chinesas para estudos de expansão da rede eléctrica do país. Moçambique procurou captar financiamento para as renováveis.

Não estão na geografia mais restrita da iniciativa Faixa e Rota, o que não significa que ao longo dos últimos anos não tenham recebido investimentos e empresas chinesas. Guiné-Bissau e Moçambique estiveram entre os países de expressão portuguesa com representação no Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infraestruturas (IIICF), em Macau. A missão: captar novo interesse para o sector energético dos respetivos países.

Mais de 1,700 participantes de 63 países tomaram parte do evento das últimas quinta e sexta-feira, organizado pelo Ministério do Comércio chinês na região. Entre estes, 53 participantes representaram governos de países que procuram ora financiamento, ora contratos, num fórum com 22 reuniões de negócio, 14 seminários, bem como uma cimeira especial dedicada à aproximação entre empresas de serviços dos países de língua portuguesa e grandes estatais chinesas.

O ministro da Energia e Indústria da Guiné-Bissau, Florentino Mendes Pereira, anunciava no encontro que o Governo  do país “perspetivava o lançamento a curto prazo de vários projetos”, prevendo-se “muito trabalho a fazer na produção e transporte da energia elétrica”. 

Em 2015, o Governo da Guiné-Bissau obteve um financiamento de 78 milhões de dólares do Banco Mundial para a construção de rede eléctrica de alta tensão num país onde as infraestruturas de produção e distribuição de eletricidade são incipientes. O Banco Africano de Desenvolvimento está também a financiar a rede da capital do país.

Em Macau, Florentino Mendes Pereira revelou ter tido encontros “com mais de 15 empresas [chinesas] de grande envergadura, com reputação nacional e internacional, com experiência no continente africano”. Referindo que os projetos em discussão passam pelos setores da eletricidade, águas, mineração, indústria e exploração de recursos petrolíferos, Florentino Mendes Pereira indicou que algumas destas empresas chinesas vão assinar um memorando de entendimento, que visa apoiar na elaboração de estudos de viabilidade técnica, económica e financeira para a expansão do sector elétrico. A Guiné-Bissau neste momento “prevê a construção da linha nacional de eletricidade e o aumento da capacidade de produção da energia”, referiu. 

Em Moçambique, onde a eléctrica nacional trabalha já com a chinesa State Grid no projeto da rede de transporte de energia de Tete até Maputo, pretende-se agora obter mais investimento nas renováveis. Carlos Alberto Yum, administrador executivo  da Electricidade de Moçambique (EdM), dizia, à margem do IIICF, que a delegação vinha interessada em “saber como encontrar plataformas para financiamento de projetos de energia”, já que o país africano pretende “universalizar a energia até 2030 e tornar Moçambique um polo de geração de energia na África austral.” 

Na opinião do administrador, o país “está dotado de muita capacidade de geração [de energia] e muito potencial hídrico, solar, gás e mesmo carvão”. Carlos Alberto Yum diz que vê potenciais parcerias com empresas chineses neste campo, mas também no que toca à industrialização do continente africano.

Equipar e resolver disputas

Os projetos de construção de infraestruturas trazem muitas necessidades associadas. O presidente da Guangxi LiuGong Machinery, uma das maiores empresas de maquinaria do mundo, Zeng Guang’an, mostrava-se particularmente interessado na iniciativa Uma Faixa, Uma Rota. “Paquistão, Indonésia, Laos – há uma série de projetos. Já temos alguns e há novos projetos em que estamos a trabalhar com os empreiteiros para providenciar soluções de equipamento”, refere. Presente em 140 países, 50 dos quais estão integrados na iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, Zeng Guang’an espera que esta lhe traga mais negócio.

No que toca ao potencial dos países de língua portuguesa, o executivo referiu interesse sobretudo no Brasil, onde, aliás, já tem uma fábrica. Mais recentemente, tem interesse em Portugal. “No próximo ano, devemos ter alguns contratos em Portugal — os últimos anos foram um desastre, mas agora está a melhorar”, diz. Aliás, o sul da Europa será a próxima aposta.

Presente com um expositor no IIICF esteve também a Quantum Global Solutions, uma empresa com sede no Qatar, que oferece consultoria para que se evitem litígios comerciais. Com escritórios em Hong Kong, Malásia e Seul, a empresa tem por clientes empresas como a China Harbour Engineering Company e assinou, num dos dias do IIICF, um acordo de cooperação com a Sinohydro, que implica poder atuar em qualquer lugar do mundo. 

“As disputas são normalmente sobre mudança de objetivos — quando um cliente muda de opinião e queria construir uma torre de escritórios, mas a meio decide que quer um hotel”, referiu o diretor executivo. No caso específico das firmas chinesas, Peter Murphy indica que a sua empresa pode ajudá-las com clientes internacionais, por poder comunicar em inglês. 

Luciana Leitão

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