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Sexta edição e número reduzido

“Desfile por Macau, Cidade Latina” é um evento que acontece desde 2011, envolvendo artistas locais e internacionais. Com o objetivo de assinalar a transferência de administração, este é o sexto ano em que se realiza. Mas, se as edições iniciais contaram com um número que se situa entre os 1.500 e os 2.000 artistas, a presente não terá mais do que 1.200, por questões logísticas.

Os temas, desde 2011, têm sido sempre diferentes, mas englobam sempre grupos de participantes locais e estrangeiros numerosos. Porém, se nos anos iniciais, os números de artistas envolvidos chegavam aos 2000, na 6a edição esperam-se 1200, por questões logísticas e de espaço.

O evento foi lançado em 2011 e é organizado uma vez por ano desde então. A primeira edição contou com grupos locais e internacionais, juntando perto de 700 artistas de países como Portugal e Brasil. “Macau é uma cidade que possui caraterísticas latinas, apresentando uma mestiçagem de caraterísticas ocidentais e orientais”, disse na altura o presidente do Instituto Cultural, Guilherme Ung Vai Meng, justificando a aposta do Governo na promoção de uma “cidade latina”. Este evento correspondeu a uma ideia proposta em 2006 ao antigo chefe do executivo, Edmund Ho, pelos consulados latino-americanos em Hong Kong por “Macau ter muitos hábitos e tradições semelhantes aos dos países da América Latina”, esclareceu na ocasião o presidente da Associação de Macau para a Promoção do Intercâmbio entre a Ásia Pacífico e América Latina (MAPEAL) – uma das organizadoras do cortejo -, Gary Ngai.

Já o ano subsequente correspondeu ao lançamento daquela que é considerada a mascote do evento, a VIVA. Em 2012, assinalou-se ainda uma colaboração com a organização humanitária internacional sem fins lucrativos ORBIS, através da venda de caridade de modelos de papel da mascote VIVA. Ganhando maior dimensão, a parada reunião perto de 2.000 artistas.

Por seu turno, em 2013, sob o tema “O Ritmo da Vida”, quatro gigantones “exploram uma viagem de vida fabulosa no grande palco do Desfile”, conforme se lê num panfleto promocional de então. Artistas e grupos de perto de 20 países e regiões participaram neste evento, nomeadamente de Portugal, Espanha, França, Itália, Perú, Bolívia, Brasil, Argentina, Colômbia, Burkina Faso, entre outros países de línguas latinas, bem como do Interior da China, Hong Kong e Taiwan. O desfile conta ainda com a participação de cerca de 50 grupos locais, perfazendo um total de cerca de 2.000 artistas. 

Já em 2014, o tema girava em torno do encontro entre a mascote VIVA e os extraterrestres, “que visitam diversos locais do centro histórico de Macau em busca de formas de salvar o seu planeta”. Nesse ano, o evento captou a atenção de mais de 100.000 elementos do público, tendo contado com grupos de mais de 10 regiões e países, incluindo Portugal, Espanha, França, Itália, Perú, Bolívia, Brasil, Argentina, Colômbia, Burkina Faso, entre outros, além de Taiwan, Hong Kong e China Continental. A eles juntaram-se 50 grupos locais, perfazendo um número total de 2000 participantes.

No ano transato, o evento girou em torno da caça ao tesouro, que se deu “em três zonas misteriosas de Macau”. A rota da 5a edição incluiu três cenários distintos, cuja decoração coube a artistas locais — o primeiro intitulava-se “Reunião para a festa”, e contava com motivos marinhos, enquanto o segundo cenário centrava-se em personagens com “energia misteriosa” às quais se juntavam “bactérias loucas”; o terceiro ilustrava o lema “paz, amor e integração cultural”.

Menos, mas melhor

A edição que tem lugar no próximo dia 4 de Dezembro, às 16:30, inspira-se num conto tradicional chinês intitulado “O Clássico das Montanhas e dos Mares” (Shai Hai Jing) e marca a “história sobre como VIVA (…) faz uma viagem de Macau para o Leste para explorar costumes e tradições de todo o mundo”, conforme se lê em nota de imprensa. 

Os grupos participantes participam numa de duas categorias — no Desfile ou no Desfile e Atuação Final. “Os grupos artísticos que participam tanto no Desfile como na Atuação Final têm de produzir uma atuação de três minutos relacionada com o tema da edição. Um prémio será dado à melhor, e o grupo vencedor terá a oportunidade de representar Macau no espetáculo ‘Atuações Étnico-Culturais Asiáticas’, em Hong Kong.” 

O desfile conta com a participação de 1.200 artistas, menos 300 dos que se registaram em 2015, por questões logísticas. “Temos menos do que no ano passado — dantes eram 1.500, mas tínhamos espaço limitado. Ficamos com 1.200 e esperamos manter este número”, esclarece o chefe do departamento de eventos culturais do Instituto Cultural de Macau (ICM), Kent Ieong Chi Ki. 

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À procura de mais jovens e turistas

A edição deste ano do “Desfile por Macau, Cidade Latina” deve juntar 1200 artistas locais e tem por tema uma história tradicional chinesa intitulada “O Clássico das Montanhas e dos Mares”. Em entrevista ao PLATAFORMA MACAU, o responsável pelo evento do Instituto Cultural de Macau, Kent Ieong Chi Ki, afirma que este ano querem mais jovens e turistas.

Satisfeito com o interesse popular pelo “Desfile por Macau, Cidade Latina”, o chefe do departamento de eventos culturais do Instituto Cultural de Macau (ICM), Kent Ieong Chi Ki, afirma querer este ano captar mais jovens e turistas. Por isso, o evento vai ter por tema um conto tradicional chinês denominado “O Clássico das Montanhas e dos Mares” (Shan Hai Jing) e terá um percurso adicional, que inclui a passagem por mais pontos no centro da cidade.

Organizado para celebrar o 17.º aniversário da transferência de administração de Macau, o evento terá lugar a 4 de Dezembro e a duração de três horas. A parada deste ano conta com a participação de 1200 artistas, ao invés dos 1500 que se registaram no ano passado, por motivos logísticos e de espaço. “Este ano temos menos do que no ano passado — dantes eram 1500, mas tínhamos espaço limitado. Ficamos com 1200 e esperamos manter este número”, diz Kent Ieong Chi Ki.

Haverá 42 grupos, 15 dos quais são estrangeiros, além de três provenientes da China Continental. As formações locais irão apresentar espetáculos de teatro, música, ópera cantonense, artes marciais, danças tradicionais e orientais. Entre os locais, Kent Ieong Chi Ki, diz que a organização “pretende cultivar ou formar mais talentos”, oferecendo-lhes uma plataforma de exposição. “Esperamos que através desta plataforma possamos formar mais talentos e ofereçamos mais oportunidades para participar neste evento”, acrescenta. Os melhores, entre os residentes, deverão ser premiados, podendo juntar-se a outras paradas, no território vizinho.

Quanto aos grupos estrangeiros, incluem-se os franceses Plasticiens Volants, que regressam a Macau com balões gigantes, além dos italianos Rome Majorettes da Itália, que se destacam na arte clássica de majorettes e atuação de cheerleaders. De Portugal, vem o grupo Ballet Afro Tuga, com elementos tradicionais africanos como percussão, ritmo, festividades étnicas e rituais populares. Além destes, na parada irá figurar o grupo espanhol Robots, composto por robôs espaciais coloridos.

As novidades

Conforme esclarece Kent Ieong Chi Ki, o tema deste ano “é mais excitante”, ao invés da edição do ano passado, considerada “mais artística” e menos propícia a atrair um público jovem. “No ano passado, tínhamos uma história de amor, de príncipes e princesas; este ano é muito excitante, é uma história tradicional chinesa.”

Mas, além do tema, a organização introduziu outras mudanças. “A adesão é boa, mas queremos mais — por isso, vamos tentar chegar a mais pessoas; teremos um jogo online [via Facebook], para chegar à geração mais jovem”, diz. Além disso, as máscaras alusivas à história tradicional chinesa, e que irão participar na parada, foram desenhadas pelo jovem ilustrador local Un Chi Kai. Entre as imagens da sua criação, contam-se o Peixe-voador Sarapintado, o Pássaro Qiyu, as Pessoas Cabeludas e as Pessoas Minúsculas, além do Dragão-Tocha.

O desfile deste ano inclui, em paralelo, workshops, um concurso de fotografia, jogos com prémios e outros passatempos, que serão divulgados através das redes sociais. E, antes mesmo do dia da parada, “misteriosas criaturas de caras pintadas irão surgir ao longo da rota para dar cor aos rostos do público”, diz a organização em nota de imprensa.

Além disso, o evento será transmitido em direto pela TDM – Teledifusão de Macau S.A., e haverá ecrãs para visionar o evento instalados no Largo do Senado, na Rotunda de Carlos da Maia, no Jardim da Areia Preta e na Rua de D. Belchior Carneiro. 

A estação televisiva TVB, de Hong Kong, irá passar no programa “Scoop” uma apresentação da parada, a 2 e 15 de Dezembro, e um Especial Desfile a 17 de Dezembro, com os destaques do evento. 

As novas rotas

A organização introduziu ainda novas rotas no trajeto do desfile, de forma a trazer a parada mais para o centro da cidade. Assim, às 16:00, os participantes partem das Ruínas de São Paulo e do Largo do Senado. “Tentamos misturar o público local e os turistas, daí termos feito esta nova rota no centro da cidade”, justifica Kent Ieong Chi Ki.

Além disso, como a parada tem lugar no mesmo dia da Maratona Internacional e do Festival de Luz, o responsável do ICM acredita que se trata “de uma boa oferta para os visitantes”, uma vez que, deslocando-se a Macau a 4 de Dezembro, “têm um dia muito preenchido”.

Conforme descrito em nota de imprensa, a parada parte das Ruínas de S. Paulo, passando pela Rua de S. Paulo, Largo de Santo António, Rua de D. Belchior Carneiro, Rua dos Artilheiros, Rua de Sanches de Miranda, Calçada da Igreja de São Lázaro, Santa Casa da Misericórdia Albergue, Rua de São Roque, Rua Nova de São Lázaro, Adro de S. Lázaro, Rua do Volong, Rua do Tap Siac e Rua de Afonso de Albuquerque, terminando com a congregação de todos os grupos participantes na Praça do Tap Seac pelas 17:30. O “percurso alternativo” parte do Largo do Senado, passando pelo Largo de S. Domingos, Rua de S. Domingos, Rua da Palha e Rua de S. Paulo, juntando-se ao restante cortejo nas Ruínas de S. Paulo.

O “Desfile por Macau, Cidade Latina” é organizado pelo Instituto Cultural e co-organizado pela Direção dos Serviços de Turismo, Instituto do Desporto, Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, Corpo de Polícia de Segurança Pública de Macau, Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, Corpo de Bombeiros, Direcção dos Serviços de Educação e Juventude e Associação de Macau para a Promoção de Intercâmbio entre a Ásia-Pacífico e a América Latina. Conta ainda com o apoio de outras entidades, entre as quais se contam a União Geral das Associações dos Moradores de Macau, a Associação de Mútuo Auxílio dos Moradores do Sam Pa Mun e a Associação dos Moradores de Soi Ho Cheok , Associação de Voluntários da Sucursal de Macau do Banco da China, da Associação para Desenvolvimento dos Jovens Voluntários da Comunidade de Macau, da Associação Geral de Voluntários de Macau, da associação The Boys’ Brigade Macau, da Associação dos Escoteiros de Macau e da Associação de Voluntários de Serviço Social de Macau, Companhia de Transportes Aéreos Air Macau, S.A.R.L. e TDM – Teledifusão de Macau S.A.

O universo de Shan Hai Jing

O tema desta edição do “Desfile por Macau, Cidade Latina” é a história tradicional chinesa

intitulada “O Clássico das Montanhas e dos Mares”.

A história “O Clássico das Montanhas e dos Mares” versa sobre as viagens de Shan Hai Jing, que atravessa tempos antigos, encontrando-se com divindades, bestas e mitos bizarros. É o tema do “Desfile por Macau, Cidade Latina”, servindo de inspiração às criações que irão acompanhar os vários artistas na parada.

Trata-se de um clássico antigo Chinês “que se centra na história, animais, plantas, minerais, medicina, religião e folclore, entre outros”, sendo conhecido no gigante asiático como “a mais antiga enciclopédia”, refere a organização em nota de imprensa. “No mundo de Shan Hai King, em que a vegetação é abundante e os rios são ricos em recursos minerais, a VIVA [mascote oficial] viaja por extraordinárias montanhas e rios, onde encontra bestas bizarras que viajam consigo e lhe contam histórias divertidas”, descreve. “Os peixes voadores atravessam o céu e as divindades mitológicas aparecem, levando todos a uma área misteriosa para participar numa festa de ‘amor, paz e integração cultural’”.

Além da parada, o Instituto Cultural está também a organizar o jogo “As Aventuras do VIVA por Shan Hai – Venha Ganhar Bilhetes de Avião”, através das redes sociais. Os vencedores podem ganhar um bilhete de ida e volta, patrocinado pela Air Macau. Cabe aos jogadores descobrir a diferença entre divindade e besta, num dado tempo, devendo superar três etapas.

O ilustrador local Un Chi Wai desenhou as figuras que irão acompanhar a parada, incluindo

um Peixe-Voador Sarapintado, que pode voar a nadar debaixo de água, “trazendo colheiras abundantes”, além do Pássaro Qiyu, que tem três cabeças e seis caudas, e “adora rir e consegue acabar com pesadelos e com males terríveis”. Há ainda as Pessoas Cabeludas, as Pessoas Minúsculas e o Dragão Luminoso, “uma divindade com cabeça de homem e corpo de cobra que, abrindo os olhos, faz com que amanheça, e, ao fechá-los, leva a que anoiteça, além de manipular a chuva e o vento”.

O autor, ou autores e a data de  “O Clássico das Montanhas e dos Mares” (Shan Hai Jing) são desconhecidos. Chegou a pensar-se que figuras mitológicas como Boyi haviam escrito o livro, mas o consenso entre os sinólogos é de que não tem apenas um autor, mas vários.

Tratando-se de uma coletânea de terras estranhas, mitos, animais exóticos e sagradas, a sua redação remonta à dinastia Han, versando sobre a geografia fantástica e mitológica da

China Antiga.

Com várias versões do texto a existirem desde o quarto século a.C., a versão final apenas surgiu no início da dinastia Han. O primeiro editor conhecido foi Liu Xiang, da dinastia Han. Mais tarde, o académico Gui Pu anotou o livro. A obra contém vários mitos famosos na China, incluindo o de que Yu o Grande passou anos a tentar controlar o dilúvio.

Muitas vezes chamado de bestiário, muita informação nesta obra é mitológica, ainda que tenha acabado por ser considerado um registo geográfico.

Luciana Leitão

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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