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Marketing a reboque das novas rotas da seda

As empresas do interior chinês procuram ajuda externa para fazer chegar as suas marcas aos novos mercados. Hong Kong continua a ser a parceira ideal.

O desenvolvimento de marcas e de estratégias de marketing é o tipo de serviços com maior procura por parte de empresas do interior da China apostadas em investir nos mercados das novas rotas da seda e que pretendem recorrer ao exterior para a obtenção desses serviços. Hong Kong é a plataforma preferencial onde encontrar este tipo de recursos, indica um estudo conduzido pelo Hong Kong Trade and Development Council.

As conclusões do estudo baseiam-se em inquéritos junto de mais de duas centenas de empresas da região oeste do país, e estão em linha com investigações anteriores conduzidas na região o Delta do Rio Das Pérolas, no Delta do Yangztzé e no Anel de Bohai, onde se incluem as cidades de Pequim e Tianjin. Indicam que cerca de metade das empresas à procura de investir no exterior (49,8 por cento) privilegiam parcerias com companhias de serviços profissionais de Hong Kong nas suas estratégias de investimento. Seguem-se Estados Unidos (26,2 por cento), Alemanha (19,8 por cento), Taiwan (19,4 por cento), Japão (17,3 por cento) e Singapura (14,3 por cento).

Os resultados refletem o contexto tradicional de recurso a Hong Kong pelas empresas do interior da China que procuram financiamento e serviços empresariais, mas distinguem-se pelo facto de no inquérito as empresas darem uma indicação clara daquilo que procuram nas suas parcerias no exterior.

Mais de três quartos no universo de inquiridos, 81,4 por cento das empresas, afirmam que pretendem explorar oportunidades de negócio nos mais de 60 países incluídos nas novas rotas da seda, com preferência pelo Sudeste Asiático (52,5 por cento), e só depois pelo Subcontinente Asiático (26,9 por cento), Ásia Central e Ocidental (19,7 por cento), Europa Central e de Leste (19,2 por cento) e África e Médio Oriente (18,1 por cento).

Uma larga maioria admite procurar parceiros no exterior para a realização dos investimentos, sobretudo em aspectos onde as empresas encontram maiores dificuldades, como a promoção de marcas e desenvolvimento de novos mercados. Os dados do Hong Kong Trade and Development Council indicam que mais de 70 por cento por cento dos inquiridos pretende recorrer a firmas do exterior para a concepção de marcas (70,6 por cento) e marketing em novos mercados (72 por cento). 

O mesmo peso tem a procura de serviços financeiros, com 70,6 por cento das empresas a manifestarem o desejo de explorar recursos no exterior. A procura de serviços jurídicos e de contabilidade é uma possibilidade para 68,1 por cento dos entrevistados, que também admitem necessidades na consultadoria de investimento (68,6 por cento), gestão de qualidade e tecnologia (62,5 por cento), gestão de serviços de apoio (60,3 por cento) e tecnologia de proteção ambiental (47,4 por cento).

“Os resultados revelam que de forma a lidar com desafios tais como assegurar financiamento, a escalada dos custos de produção e o abrandamento dos mercados, as empresas da China continental pretendem encontrar serviços profissionais no exterior que as apoiem na transformação e atualização. Estes vão da concepção de marcas a estratégias de promoção, passando por marketing, investigação e desenvolvimento de produto, e serviços financeiros e jurídicos”, refletem os autores do estudo que procura servir de guia para o posicionamento das empresas de Hong Kong como potenciais parceiras.

A economia de Hong Kong, a recuperar em 1,6 por cento no segundo trimestre após uma contração de 0,5 nos primeiros três meses do ano, enfrenta atualmente fortes desafios associados à queda dos preços no sector imobiliário, redução dos números do turismo e quebra nas exportações. O abrandamento deverá persistir ao longo dos próximos meses, e a iniciativa Uma Faixa Uma Rota é vista como um projeto a catalisar para proveito regional. Nomeadamente, com um empurrão do Governo Central.

Em Maio último, Hong Kong acolheu a Cimeira Faixa e Rota, presidida por Zhang Dejiang, presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular e o responsável pelos assuntos de Hong Kong e Macau. A mensagem deixada, colhendo entusiasmo mas também cepticismo entre empresários de Hong Kong, foi a de que a região deve afirmar-se como centro de serviços profissionais e financeiros na assistência às companhias do continente chinês que procuram explorar os mercados externos. 

A vontade de a RAEHK consolidar esta posição intermediária na nova onda de investimento echinesa associada à construção de infraestruturas e desenvolvimento de novas relações comerciais reflete-se desde então, por exemplo, na criação em Julho último de um Gabinete de Facilitação de Financiamento em Infraestruturas por iniciativa da Autoridade Monetária de Hong Kong. Trata-se de um banco de conhecimento a reunir diferentes parceiros do sector financeiro, entre os quais o novo Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas.

As dificuldades de financiamento são ainda, e apesar das política de estímulo do Banco Popular da China, o principal obstáculo à expansão das operações das empresas chinesas, seja a nível doméstico ou no exterior. 

O estudo do Hong Kong Trade and Development Council que inquere companhias sedeadas no interior do país mostra que 38,7 por cento das empresas dão conta de dificuldades financeiras, seguindo-se o aumento dos custos de produção e com mão-de-obra (37,8 por cento), um nível insuficiente de encomendas no mercado doméstico (35,6 por cento), insuficiências na concepção de produtos e investigação e desenvolvimento (25,8 por cento) e a forte competição nos mercados internacionais (22,2 por cento).

A China é atualmente a terceira fonte, a nível mundial, de investimento em países terceiros, canalizando no ano passado para o exterior 127,6 mil milhões de dólares norte-americanos, de acordo com os dados da Conferência internacional para o Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas. O país fica apenas atrás dos Estados Unidos (300 mil milhões de dólares) e do Japão (128,7 mil milhões de dólares) enquanto investidor global.

Uma parte considerável dos capitais afectados a projetos no exterior está já a ser investido em países incluídos nas chamadas novas rotas da seda, sendo destinos preferências Singapura, Cazaquistão, Laos, Indonésia e Rússia. Segundo o Ministério do Comércio chinês, em 2015 as empresas chinesas (excluindo bancos e outros agentes do sector financeiro) fizeram um investimento direto de 14,8 mil milhões de dólares em 49 países incluídos no traçado da iniciativa Uma Faixa Uma Rota, num crescimento de 18,2 por cento face ao ano anterior. O valor dos investimentos nos países das rotas da seda representou 12,6 por cento do total de investimento direto no exterior. 

Hong Kong, por força do estatuto de centro financeiro e das restrições domésticas à saída de capitais chineses, mantém-se como canal privilegiado. Em 2014, e segundo o Ministério do Comércio chinês, a região permitia pôr em trânsito mais de metade do investimento direto chinês no exterior, acolhendo ou agenciando capitais no valor de 70,9 mil milhões de dólares norte-americanos.  

Maria Caetano 

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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