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A língua como grande ponte

A plataforma lusófona foi explicada na conferência por um painel organizado por este jornal, que convidou para o efeito representantes de várias áreas de serviços essenciais esse desígnio; da banca à advogacia, do turismo aos média e ao empreenderorismo privado.

Ray Ng, diretor geral da Associação da Indústria e Comércio de Macau, diz que a organização, com seis anos de existência, foi criada por jovens das mais variadas áreas profissionais e académicas, unidos por um objetivo comum: “Criar uma sociedade melhor; colaborar com o resto da China”, explicou na qualidade de orador do painel “Atualizar Macau”, no último dia da ‘Horasis China Meeting’.

“Macau tem crescido nos últimos 15 anos, mas a economia abranda desde 2013, muito em função dos casinos”, razão pela qual “o governo tem sido muito claro em relação problema: não podemos contar só com as receitas dos ‘jogos de azar’, é forçoso diversificar as atividades económicas”. Nesse sentido, “estamos também a promover conferências internacionais”, direcionadas para os países de língua oficial portuguesa (e não só), para divulgar as potencialidades de Macau como interlocutor entre a China e a Europa (Portugal), África, América do Sul (Brasil) e Oceânia (Timor-Leste). Há um caldo cultural comum entre estes países, do qual Macau faz parte há mais de 400 anos. “Temos quatro séculos de cultura e objetivos comuns; temos também um sistema legal muito idêntico, que deverá manter-se nos próximos 15 anos”, resume o empresário e líder associativo.

“Pequim tem promovido algumas políticas para ajudar a diversificar as atividades económicas, encarando Macau como uma porta para o Ocidente”, revela Fanny Vong, presidente do Instituto de Formação Turística. Num retrato realista, encarou as limitações existentes como desafios que é necessário (e possível) ultrapassar. “Macau tem pouca população (cerca de 600 mil habitantes); é um território pequeno, mas estratégico porque se situa no do Delta do Rio das Pérolas, o que abre muitas portas”.

No que respeita ao Turismo, Fanny Vong lembra que, o número de quartos de hotel subirá para 50 mil, no espaço de dois a três anos. Com a liberalização do jogo e os vistos individuais para cidadãos do Continente “houve um boom no Turismo – de 11 milhões de visitantes em 2002, passámos para cerca de 31,5 milhões em 2014”, recorda a responsável da Formação Turística. “Continuamos a ter projetos para unidades hoteleiras, mas num horizonte de cinco/seis anos, de molde a que a diversificação de atividades seja progressive – e não abrupta”, defende Fanny Vong. Em matéria de atividades de lazer, cita uma oferta diversificada; das artes ao desporto, passando pela astronomia. Um dos ex-líbris continuam a ser a compras – das marcas luxuosas às antiguidades chinesas, passando por feiras de rua onde se encontra de tudo um pouco. Há também um bailado na água, o famoso espetáculo “The house of dancing water”, no City of Dreams. Para os mais aventureiros é possível experimentar o Sky Jump ou o Sky Walk (do alto da Torre de Macau, com 338 metros de altura). Tudo isto sem esquecer, o centro histórico de Macau, inscrito na lista do Património Mundial (da Unesco) em Julho de 2005. Fanny Vong lembra, no entanto, que Hong Kong tem o triplo do tamanho de Macau, razão pela qual é imprescindível “continuar a ter o apoio do governo e dos investidores.”

Pedro Cortés, sócio da firma de advogados Rato, Ling, Lei & Cortés (Lektou), explica que ainda há muitos advogados portugueses em Macau. A sua empresa, por exemplo – que começou na década de 1980 com – foi a primeira a fazer sociedade com advogados chineses. Na sua perspetiva “providenciar serviços é um dos negócios do future” em Macau. “Temos óptimas condições para as empresas instalarem ali as suas sedes e escritórios. Estamos a uma hora de Hong Kong e oferecemos custos operacionais 50% inferiores; além disso, num raio de três/quatro horas de avião, temos cidades como Jacarta, Singapura, Kuala Lumpur ou Manila.”

Pedro Cortés lembra ainda que, “na sequência da chamada extensão ao Acordo de Estreitamento das Relações Económicas e Comerciais entre o Interior da China e Macaus (CEPA), foram instituídas medidas preliminares para uma joint venture de firmas de advogados da China/Macau/Honk Kong.” Por isso solicitaram já a abertura de um escritório na Ilha da Montanha (Hengqin), que deverá iniciar atividade já em 2016. “O nosso escritório reforça assim a sua presença regional e presta assistência jurídica aos seus clientes no Continente, servindo ainda como embaixador da lusofonia, um dos grandes desígnios do governo central para aquela ilha”, conclui o advogado, que durante a conferência assinou um acordo de parceria estratégica com um escritório português (AM-Associados), criando sinergias e estendendo a propensão internacional de ambos os escritórios.

Pedro Cardoso, presidente do BNU, afirma que, “em termos de serviços financeiros, Macau tem uma das maiores concentrações do mundo.” Cerca de “50% dos empréstimos que fazemos são para fora de Macau, enquanto 30% dos depósitos têm também origem no exterior. É, portanto, um sector muito bem internacionalizado”. O BNU está há 113 anos anos em Macau, “terra que não é só feita de Jogo; é um grande destino turístico e um local onde o oriente se encontra com o ocidente. E é também o segundo território com a maior esperança de vida (87 anos para as mulheres).”

Inserido no Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), o BNU está presente em 23 países, sete deles lusófonos. “Somos líderes em Portugal, Moçambique, Cabo Verde, Timor-Leste e São Tomé e Princípe”, frisa Pedro Cardoso, acrescentando que “um terço da população de Macau é nosso cliente. No Continente temos um único balcão, mas pretendemos abrir mais dois no próximo ano”. Na mira estão também Brasil e Angola.

“Estamos muito bem posicionados para servir esta plataforma Macau/Lusofonia porque temos muitos clientes empresariais na China e nas duas Regiões Administrativas Especiais, bem como em muitos dos países de língua portuguesa. Temos também imensa liquidez”, garante o líder do BNU, mencionando o protocolo recentemente assinado com o Banco da China, que ajudará também nesta ponte, já que a entidade bancária chinesa não tem representatividade nos países de língua portuguesa.

Para Afonso Camões, diretor do Jornal de Notícias – Segundo maior diário português, “Macau é uma experiência de sucesso” e “as linhas de orientação do governo chinês são idênticas às da década de 1990”, quando Portugal ainda governava Macau.

“Sou jornalista e o nosso primeiro mercado é a língua portuguesa. Pensemos de forma global e em construir ferramentas para trabalhar globalmente”, disse, remetendo para o exemplo da Agência Lusa, a cujo Conselho de Administração presidiu: “É a única agência noticiosa que fala português, o que significa trabalho com oito países e cinco continentes. Quando olhamos para o mapa isto dá uma visão global.” O Jornal de Notícias e o Plataforma Macau (publicado uma vez por mês em Portugal, como encarte do JN) “têm de passar da base papel para o digital, porque aí podemos pensar global.” Na óptica de todos estes palestrantes, Macau tem para oferecer aos investidores assistência juridical e financeira, um passado comum e um projeto olítico suportado por Pequim. Paulo Rego, moderador do painel “Actualizar Macau” e diretor deste jornal, Media partner do evento, lembrou que “há mais de 30 universidades a oferecer licenciaturas em português na China continental. “Talvez seja a zona do mundo onde a língua portuguesa está a crescer mais”, rematou.

“Estamos também a promover conferências internacionais, direcionadas para os países de língua oficial portuguesa (e não só), para” divulgar as potencialidades de Macau Ray Ng, director-geral da Associação da Indústria e Comércio de Macau

30 de outubro 2015

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