JAPÃO DOA ARROZ A MOÇAMBIQUE - Plataforma Media

JAPÃO DOA ARROZ A MOÇAMBIQUE

 

Tóquio oferece arroz, numa altura em que, segundo a FAO, Moçambique não consegue que o aumento da sua produção alimentar corresponda a efetiva nutrição.

 

O Governo japonês vai doar arroz avaliado em cerca de cinco milhões de dólares a Moçambique, no âmbito do apoio à segurança alimentar no país.

“A doação vai contribuir para assegurar o abastecimento alimentar em Moçambique e desejo que esta assistência se torne numa pedra fundamental para o bem-estar do país e reforce a nossa cooperação bilateral”, disse o embaixador do Japão em Moçambique, Akira Mizutani, citado na imprensa de Maputo. O vice-ministro moçambicano dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Eduardo Koloma, afirmou por seu turno que o donativo constitui uma “valiosa contribuição” para os esforços do Governo moçambicano em garantir a segurança alimentar.

“Este donativo irá contribuir para implementação de projetos de desenvolvimento económico e social de Moçambique, através de fundos gerados pela venda do arroz a ser doado”, disse o vice-ministro. Segundo Koloma, o arroz, que chegará no próximo ano, será comercializado e os dois governos definirão então os mecanismos para o uso dos lucros obtidos.

O Governo japonês apoia Moçambique na área da segurança alimentar desde 1977. Em novembro, o Governo moçambicano revelou que a desnutrição crónica afeta 42,6% da população, uma taxa de prevalência que o primeiro-ministro, Alberto Vaquina, considerou como uma ameaça ao futuro coletivo do país

 

MAIS COMIDA NÃO TRAVA SUBNUTRIÇÃO DAS CRIANÇAS

O elevado número de crianças subnutridas contrasta com o aumento da quantidade de alimentos na região centro de Moçambique, sugerindo que a educação nutricional não acompanha a evolução das políticas agrárias, disse, engretabnto, uma fonte da FAO.

Estatísticas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) indicam que na região centro, que inclui as províncias de Manica, Sofala, Tete e Zambézia, a produtividade agrária quase dobrou nos últimos cinco anos, mas a subnutrição continua acima dos 43 por cento.

“Aumentou a quantidade de comida produzida e aprovisionada, mas o número de crianças com desnutrição crónica cresce a cada dia na região, o que não se compreende”, alertou no Chimoio, província de Manica, Walter Oliveira, coordenador da FAO em Moçambique para o indicador da redução da fome, nos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio.

Em Moçambique apenas 6% dos agricultores usam sementes de qualidade e 3% fertilizantes e, na maioria dos casos, a desnutrição das crianças – que resulta do fraco domínio de práticas alimentares – é associada a problemas tradicionais e que rejeitam tratamentos convencionais.

Um programa da FAO, disse Walter Oliveira, está a financiar o laboratório regional de sementes, para análise e supervisão da qualidade, e pequenos produtores da região, até metade do custo de sementes e fertilizantes, para estimular a produtividade agrária, e também a construção de celeiros modelos, para reduzir perdas pós-colheitas.

Em paralelo, foi introduzida a educação nutricional em várias escolas estratégicas, para ensinar práticas nutricionais, além de palestras de demonstração culinária para melhoria da dieta das crianças.

“Aumentar a disponibilidade de semente no tempo certo da sementeira aumenta a produção, e o uso de adubação garante boa germinação. Então financiamos uma cadeia”, disse o representante da FAO, de origem brasileira, que participou na elaboração da estratégia que erradicou 70% da fome em 10 anos no seu país e que acredita que “Moçambique tem potencial”.

Walter Oliveira, que acompanha a visita de três dias a Moçambique do embaixador dos Estados Unidos para as agências da ONU para a alimentação e agricultura, David Lene, espera que, apesar de o país não ter atingido a meta de redução da metade de subnutridos, o cenário possa mudar nos próximos anos.

 

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