A 5ª. edição do Festival Internacional de Cabo Verde realiza-se entre 16 e 19 de outubro e já se inscreveram 81 filmes para participar no evento. A partir da próxima edição, o Ministério da Cultura do país vai financiar a deslocação de realizadores.
A diretora executiva da Vivo Imagem, promotora do Festival Internacional de Cinema de Cabo Verde, Suely Neves, disse que para a próxima edição do certame, que acontece na Ilha do Sal já em outubro, inscreveram-se 81 filmes.
Neves fez estas declarações no âmbito da assinatura de um protocolo com o Ministério da Cultura que, segundo explicou, vai trazer outro dinamismo e abrir novas portas ao festival, que pretende ser um um incentivo, incubadora e montra dos realizadores cabo-verdianos.
Na primeira edição do CVIFF (2010) inscreveram-se cinco filmes. Cinco anos depois, este número dispara para 81, revelou a promotora do certame para quem os números falam por si.
Os filmes selecionados para o festival de cinema de Cabo Verde serão oficialmente apresentados daqui a cerca de duas semanas, altura em que será igualmente divulgada a programação oficial do certame.
A responsável pela Vivo Imagem caracterizou o protocolo agora assinado como “muito importante” visto que “vem dar à organização a possibilidade de trazer realizadores de renome” a atuar no estrangeiro, inclusive cabo-verdianos para também ministrarem workshops no país. Do acordo ficou o compromisso do Ministério da Cultura em financiar a vinda de um realizador em 2015 e dois no ano seguinte.
Um outro ponto relevante do protocolo será o financiamento do Governo de “spots” publicitários na rádio e na televisão o que, segundo afiançou a responsável, é de capital valor devido ao preço das cotas publicitárias e a repercussão que estes anúncios terão para a publicitação interna, que na sua ótica servirão igualmente de chamariz e incentivo para a criação cinematográfica em Cabo Verde.
Além das vantagens diretas deste acordo, Suely Neves garantiu que o envolvimento oficial do Ministério da Cultura no certame vai atrair novos patrocínios visto ser “um carimbo de aceitação”. Por seu turno, o diretor Nacional das Artes, João Paulo Brito, em representação do Ministério da Cultura na assinatura do protocolo, disse que pensar as políticas para o cinema num país como Cabo Verde é muito complicado. Daí que garantiu “quando há quem faz e fá-lo bem – é necessário apoiar e estimular”.
“Temos para já, do ponto de vista de políticas para o desenvolvimento do cinema, um ponto importante que é a formação da camada mais jovem”. Pelo que João Brito considera o trabalho desenvolvidos pelo Xocante e a Escola Olavo Moniz à margem do festival de cinema “um forte investimento para a formação dos futuros cineastas de Cabo Verde”.
Lamentou igualmente o cenário atual do cinema em Cabo Verde em que muitos dos realizadores nacionais ou desenvolvem uma carreira fora do país ou à custa de um investimento pessoal muito elevado, o que espera vir a mudar com estes incentivos agora reforçados.
João Brito reconheceu ainda que, na altura do lançamento do festival, viu-o como um projeto ousado e confessa ter pensado que “seria um projeto demais para Cabo Verde ou para um grupo restrito de pessoas”. Pelo que confessa assistir com satisfação ao seu crescimento. “Após estes anos, tornou-se num espaço do cinema cada vez mais importante para Cabo Verde”.
Por fim, afirmou que este protocolo vem dar visibilidade nacional a este projeto que “é importantíssimo para Cabo Verde”. Daí que garantiu que “este é o primeiro de vários projetos que o Ministério da Cultura vai assinar para breve com algumas instituições que têm como objetivo promover o cinema e o audiovisual em Cabo Verde”.