CONTESTAÇÃO EM HK “É UM TIGRE DE PAPEL” - Plataforma Media

CONTESTAÇÃO EM HK “É UM TIGRE DE PAPEL”

 

Global Times adverte que Hong Kong “não é a Ucrânia” e ataca “o campo da oposição radical”

 

Um jornal do Partido Comunista Chinês ressuscitou esta semana a célebre retórica dos anos 1960, ao qualificar como “um tigre de papel” a contestação ao modo de eleição do chefe-executivo de Hong Kong imposto por Pequim.

“Face à opinião publica dominante em Hong Kong e à firme determinação do governo central, o campo da oposição radical está condenado a ser um tigre de papel”, disse o jornal Global Times, publicação em inglês do grupo Diário do Povo, o órgão central do PCC.

Num editorial intitulado “Campo radical de Hong Kong é um tigre de papel”, o jornal adverte que aquela Região Administrativa Especial da China “não é a Ucrânia”.

“Os poderes ocidentais apoiarão a oposição radical de Hong Kong, mas a publicidade e o nível do apoio não será de modo nenhum comparável ao apoio que deram ao partido da oposição ucraniana”, afirma o Global Times. “A força nacional da China significa que não será fácil o Ocidente interferir nos assuntos de Hong Kong”, acrescentou.

De acordo com a resolução aprovada no domingo pela Assembleia Nacional Popular chinesa, saudada como “histórica” pela imprensa oficial, o chefe-executivo de Hong Kong será eleito em 2017 por sufrágio direto, pela primeira vez, mas os candidatos terão de ser aprovados por um comité de nomeação.

Partidos democráticos de Hong Kong, que já organizaram manifestações com dezenas de milhares de pessoas, rejeitam aquele processo, que consideram “uma falsa democracia”, e ameaçam ocupar o centro financeiro e comercial do território.

Hong Kong foi integrada na República Popular da China em julho de 1979, com o estatuto de Região Administrativa Especial e segundo a fórmula “um país, dois sistemas”, adotada também em Macau, que garante às respetivas populações liberdades de expressão e organização politicas desconhecidas no resto do país.

Até agora, o chefe-executivo de Hong Kong tem sido eleito por um Comité de 1.200 membros selecionados entre os chamados “quatro setores” do território, nomeadamente líderes empresariais e delegados aos órgãos do poder central, em Pequim.

O futuro Comité de Nomeação, cuja composição corresponderá ao atual colégio eleitoral, “designará dois ou três candidatos” e cada um deles deverá ser aprovado por mais de metade dos membros do comité.

Considerada uma das economias mais livres do mundo, Hong Kong tem cerca de 7,2 milhões de habitantes, 72% dos quais com menos de 55 anos, e um Produto Interno Bruto per capita que ronda os 33.500 dólares – cinco vezes superior ao da China continental.

Exceto nas áreas da defesa e das relações externas, que são da competência do governo central, Hong Kong goza de “um alto grau de autonomia” e é “governada por pessoas” do território.

 

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