ROBERT MUGABE PRESIDE À SADC E MOÇAMBIQUE APLAUDE - Plataforma Media

ROBERT MUGABE PRESIDE À SADC E MOÇAMBIQUE APLAUDE

 

O Presidente do Zimbabué assumiu esta semana a presidência rotativa da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), um ato cujo signficado foi saudado por Moçambique

 

Robert Mugabe, 90 anos, recebeu a presidência da SADC do Malauí, após um longo período em que o seu país esteve afastado dos órgãos de decisão da organização, e deve assumir, no próximo ano, também a liderança da União Africana.

Dirigindo-se na sessão de abertura aos seus pares, incluindo o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, e o vice-Presidente angolano, Manuel Vicente, o chefe de Estado do Zimbabué disse que o bloco não pode exportar apenas matérias-primas, apelando para o aumento do comércio de produtos acabados.

“A nossa região tem abundantes recursos que, em vez de serem vendidos em bruto a preços muito baixos, podem ser explorados e melhorados para acrescentar valor aos produtos que exportamos”, declarou Mugabe, citado pela agência France Presse.

“Esse esforço deveria ajudar-nos a industrializar e a aumentar as oportunidades de emprego dos nossos povos”, disse o Presidente do Zimbabué, apelando para a autonomia do espaço composto pelos 15 Estados-membros da organização.

“Como é que podemos dizer com orgulho que a SADC é nossa organização quando cerca de 60% dos programas da SADC são financiados externamente?”, questionou o líder zimbabueano, citado pela agência moçambicana AIM.

Mugabe governa o Zimbabué há 34 anos e a sua liderança é vista pelas potências ocidentais como autoritária, assente em eleições fraudulentas e abusos de direitos humanos, e marcada por frequentes crises económicas.

“Agradecemos à SADC pelo facto de consistentemente exigir a remoção das sanções ilegais impostas ao Zimbabué pelo ocidente e União Europeia, cujos efeitos debilitam a nossa economia”, assinalou Mugabe na abertura da cimeira da organização. “Sem o vosso apoio não teríamos conseguido manter-nos hoje de pé e, por isso, estamos eternamente gratos”, acrescentou.

Numa reação, o Presidente moçambicano defendeu a escolha de Robert Mugabe, , comentando que, como numa família, seja marido ou mulher, “alguém manda em casa”.

“Alguém tem que mandar e a SADC também escolheu o seu chefe”, afirmou Armando Guebuza, que lembrou que não cabe ao presidente da SADC a gestão diária da organização e que existem o secretariado e outras estruturas, como o conselho de ministros, para esse efeito.

“Por isso, eu não vejo um problema. Se eles [ocidente] fizerem disso um problema, vou estranhar muito. Mas se for o caso, havemos de analisar e ver como é que podemos fazer face a esse problema”, disse Guebuza, que pediu apoio da imprensa da região.

“Se a nossa imprensa toda for soberana e disser que é nossa região e quem manda somos nós, não permitirá que, seja quem for, procure interferir”, declarou, acrescentando que “infelizmente” as únicas vozes que ouviu em defesa de Mugabe partiram da própria SADC.

Num comentário ao resultado da cimeira, Armando Guebuza, elogiou o ambiente tranquilo dos trabalhos, por comparação com reuniões anteriores marcadas por crises no Zimbabué, Madagáscar, República Democrática do Congo e Lesoto.

“Esta sessão acontece numa altura em que estes problemas se reduziram”, considerou o Presidente moçambicano, referindo que isso conduziu a que esta cimeira se focasse nos problemas económicos da região.

 

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