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Dois países, um sistema

Não poderia ser maior o contraste entre os dois países ibéricos. É mesmo gritante quando se fala de alta velocidade. Se em Portugal — em grande parte devido à crise da dívida soberana e respectivas políticas de austeridade — as linhas projectadas entre Lisboa-Porto-Vigo e Lisboa-Madrid estão em tépido banho-maria, Espanha optou por abraçar loucamente esta nova tecnologia.

A estreia do AVE (assim se chamam os comboios velozes em Espanha) ocorreu em Abril de 1992. Um Madrid-Sevilha inaugurado pelo então primeiro-ministro Felipe González a tempo da Exposição Universal de Sevilha. Mais de 400 quilómetros em apenas duas horas. Foi um marco ibérico.

Espanha ganhou-lhe o vício: é hoje o país europeu com maior extensão de linha de alta velocidade: mais de 3100 quilómetros em serviço, uma cifra que impressiona ainda mais se considerada per capita.

França, por exemplo, a vizinha em que Espanha se inspirou inicialmente, conta apenas com cerca de 2000 quilómetros de TGV. A Alemanha? Algo como 1300 quilómetros. Como escreve o diário El País, “Espanha só é superada pela China, com 9300 quilómetros de comboio de alta velocidade para os seus 1,3 mil milhões de habitantes”.

Hoje, a tecnologia AVE vence concursos internacionais na Ásia ou no Médio Oriente. É um dos símbolos incontornáveis da Marca España. Contudo, as críticas são directamente proporcionais à quilometragem. Se excluírmos o eixo Madrid-Barcelona e mais uns poucos, muito poucos, os comboios andam bastante vazios.

“Em média, cada espanhol apanha um AVE a cada dois anos, quase um terço dos alemães e metade dos franceses”, justifica o diário madrileno, um dos críticos mais ferozes desta aposta ferroviária.

 

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