IMPRESSÃO 3D PARA TODOS “DAQUI A CINCO ANOS” - Plataforma Media

IMPRESSÃO 3D PARA TODOS “DAQUI A CINCO ANOS”

Francisco Mendes, fundador da BeeEveryCreative e pioneiro da impressão 3D em Portugal, lembra que, há dois anos, ninguém sabia o que era a impressão 3D. Agora anda tudo a tentar perceber essa tecnologia que promete democratizar a criatividade e revolucionar o consumo mundo. Antigo estudante do mestrado de Automação Industrial da Universidade de Aveiro, Mendes encontrou no colega Jorge Pinto, mestre em Eletrotecnia, o parceiro ideal para uma pequena grande aventura: fabricarem a primeira impressora 3D portuguesa.

 

Nascia assim aquele que seria o embrião da BeeTheFirst, lançada no mercado no outono de 2013. “Fomos para uma incubadora de empresas da Universidade de Aveiro e, um ano mais tarde, em 2011, decidimos arrancar com a empresa”, explica Francisco Mendes, 39 anos, ao Plataforma Macau. “Queríamos produzir impressoras 3D desktop, com uma vertente mais doméstica e de escritório. A tecnologia já existia desde os anos 80, mas as impressoras 3D custavam centenas de milhares de euros e só funcionavam em ambiente fabril.”

Comercializada pela entretanto constituída BeeEveryCreative, a BeeTheFirst, de design bastante cuidado, está a fazer furor no mercado. Tem um custo de 1990 euros (USD 2711) e em menos de um ano encontrou distribuidores em mais de 20 países. Em Macau e Hong Kong, por exemplo, é representada pela Lava Technologies.

A 28 e 29 de junho, os dois fundadores vão a Dalian, na China, para uma conferência mundial sobre impressão 3D; uma área na qual, tudo indica, Pequim quer dar cartas. Aliás, foram eventos deste tipo que amplificaram a visibilidade global da BeeTheFirst. “No 3D Printshow de Londres, em novembro de 2013, e em Nova Iorque, em fevereiro deste ano, a CNN e a BBC repararam em nós”, justifica Francisco Mendes. “E os bloguers de vários países começaram a elogiar o design, a facilidade de transporte e o facto de ser bastante silenciosa.”

A ambição global da BeeEveryCreative, que tem o seu quartel-general na Gafanha d’Aquém, perto de Ílhavo, é a nota dominante. “Impressoras comerciais há muito poucas e nós queremos estar entre os três maiores fabricantes desta área a nível mundial”, confessa Mendes.

 

A si e a Jorge Pinto juntaram-se mais dois sócios, um deles Diogo Quental, atual diretor-geral. “Ao todo somos agora 33 pessoas”, sublinha o engenheiro. “Queremos marcar a mudança através da impressão 3D. Acreditamos que a impressão 3D vai mudar o paradigma da produção em massa, aproximando-o da criação do consumidor individual e transportando-nos dessa forma para uma sociedade mais virada para o lazer”, defende a BeeEveryCreative.

Francisco Mendes explica melhor o chavão empresarial: “Ainda há pouco imprimi para as minhas duas filhas um boneco articulável. Todas as peças são móveis, tem cerca de 20 peças, mas imprimi uma única vez, em simultâneo, e fica tudo encaixado. Tem alguma complexidade mecânica que permite aos miúdos lidar com estes conceitos de mecânica e de matemática e que os alunos de Engenharia só liam nos livros, porque não os podiam fabricar facilmente. Assim, os conceitos entram na cabeça dos miúdos desde tenra idade.”

Aqui gera-se a dúvida: a impressão 3D é para ludopatas ou, ao invés, virada para o mundo profissional? E que objetos criamos exatamente com esta BeeTheFirst? Aqui destacam-se dois grandes grupos de utilizadores: os “engenhocas”, que gostam de criar os seus próprios objetos, muitas vezes para os seus filhos ou por mera recriação; e os arquitetos, designers ou engenheiros, entre outros, que imprimem no escritório ou nos gabinetes os seus módulos e protótipos.

“A ideia principal é o consumidor passivo tornar-se ativo, indo ao mercado buscar o que pode materializar as suas ideias”, acrescenta Mendes: “A impressão 3D pode gerar uma capa telemóvel customizada, por exemplo. É o consumidor a criar os seus próprios objetos originais”. Serve para marcar a diferença. Uma identidade. Como repete ao longo da conversa, esta tecnologia não veio para substituir o que já existe. “É normal que a pessoa queira imprimir uma peça de bijuteria original, mas não um micro-ondas ou outro qualquer eletrodoméstico”.

A peça desejada pode ser desenhada no computador pessoal com recurso a um qualquer software de modelagem. “Pode-se descarregar o software e alterar o modelo de escala, num anel, por exemplo, de forma a ficar do tamanho do nosso dedo. Também é possível com um scanner 3D digitalizar o objeto pretendido ou então programá-lo à medida”.

 

Depois é só carregar no enter. Assim nascem letras, pulseiras, suportes de telemóvel, galos de Barcelos, óculos ou pequenos brinquedos. “Uma impressão pode levar dez minutos ou dez horas, dependendo da densidade e da resolução”, explica o fundador da BeeEveryCreative. As dimensões máximas são 190 x 130 x 130 milímetros. “Mas isso não é necessariamente uma limitação, pois já chegamos a imprimir peças de mais de um metro, nas quais se encaixam várias as peças, em módulo”, precisa Francisco Mendes.

O objeto resultante é feito a partir de um filamento de PLA que alimenta a impressora e está disponível em várias cores (o PLA é um termoplástico obtido a partir de fontes renováveis, como o milho, por exemplo, o que torna as criações da BeeTheFirst biodegradáveis). “A nossa impressora é para estar dentro de uma casa. Não pode ter fumos tóxicos e é mais sustentável, gasta menos energia, e é biodegradável.”

Mais do que a máquina, o principal segredoo software ? “O segredo é tudo”, responde. O que distingue a BeeEveryCreative é o hardware (silencioso, estético e móvel), o software rápido e com boas características de impressão, mas também o cuidado colocado no apoio ao cliente ou a escolha dos distribuidores internacionais, que são uma extensão global da empresa. A mala inventada para transportar a BeeTheFirst é outra das apostas da companhia: “A mobilidade é essencial, muda tudo. É um novo paradigma. A impressora anda com o criador. Podemos tê-la em casa ou emprestar ao filho para ele levar para as aulas”.

Excesso de otimismo? Francisco Mendes é categórico. Em matéria de futurologia, nem vacila: “Dentro de três a cinco anos já todos terão ouvido falar nestas tecnologias. E se as pessoas não tiverem uma impressora 3D em casa, pelo menos conhecerão alguém no seu círculo que a tenha”. Para imprimir, por exemplo, aquela armação em massa excêntrica que está na moda e que agora até podemos personalizar de acordo com a nossa loucura.

 

若奧.洛佩斯.馬爾克斯

João Lopes Marques

Este artigo está disponível em: 繁體中文

Assine nossa Newsletter