A procura de apoio por parte de homens vítimas de violência doméstica está a aumentar em Portugal. Dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) mostram que 3.671 homens adultos foram apoiados entre 2021 e 2024, mais 48,2% do que no início do período. Os dados mais recentes apontam para uma realidade ainda marcada pela invisibilidade e pela demora em pedir ajuda.
A APAV registou 3.671 homens adultos vítimas de violência doméstica apoiados entre 2021 e 2024. O crescimento foi de 48,2% ao longo dos quatro anos, num fenómeno que a associação considera ainda pouco visível.
O aumento não significa necessariamente que a violência contra homens esteja a crescer na mesma proporção. A APAV tem salientado que uma maior informação sobre os direitos das vítimas e uma maior disponibilidade para procurar apoio também podem contribuir para o aumento dos casos que chegam aos serviços.
Os números mais recentes da associação mostram que esta tendência se prolongou. Em 2025, a APAV apoiou, em média, 43 homens adultos por semana, no conjunto de todas as formas de crime e violência. Nesse ano, a associação apoiou 18.549 vítimas e registou 35.341 crimes e outras formas de violência. A violência doméstica representou 73,9% dos registos.
Mais de metade dos casos envolve violência continuada
Os dados específicos relativos aos homens vítimas de violência doméstica revelam uma característica particularmente relevante: a violência tende a prolongar-se no tempo.
Mais de 54% dos homens apoiados pela APAV entre 2021 e 2024 sofreram violência continuada. Em 29,9% dos casos, a vítima demorou entre dois e seis anos até fazer o primeiro pedido de ajuda.
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A residência comum é também um dos principais contextos de vitimação. Em 61,3% dos casos com informação disponível, a violência ocorreu na casa partilhada com a pessoa agressora.
A demora em procurar apoio traduz-se igualmente nos números relativos às denúncias: 48,7% das vítimas apresentaram queixa, enquanto 40,6% não o fizeram.
Mulheres são maioria entre os agressores identificados nestes casos
Nos processos acompanhados pela APAV entre 2021 e 2024, 52,9% das pessoas agressoras identificadas eram mulheres. Em 20,7% das situações, a pessoa agressora era cônjuge da vítima.
Outro dado destacado pela APAV diz respeito à violência exercida por filhos ou filhas contra os pais, que representou 12,9% dos casos. A associação chama a atenção para esta realidade tendo em conta que 25,4% dos homens vítimas apoiados tinham 65 ou mais anos.
A violência doméstica contra homens pode assumir diferentes formas, incluindo violência física, psicológica, ameaças, controlo e outras formas de abuso. Num estudo anterior, relativo ao período 2021-2023, a APAV identificou a ameaça e coação como a forma mais frequente entre os crimes de violência doméstica praticados contra homens adultos.