A Autoridade Regional de Saúde (ARS) dos Açores confirmou a presença de norovírus em análises realizadas a casos de gastroenterite aguda na ilha de São Miguel. A confirmação surge após um aumento anormal de casos na ilha e na sequência de um surto de gastroenterite identificado no Faial. As autoridades dizem que a situação exige vigilância e prevenção, mas “não constitui motivo para alarme”.
Segundo a ARS, os dados disponíveis indicam que a grande maioria das pessoas afetadas apresenta um quadro clínico ligeiro e autolimitado.
Os sintomas mais frequentes são diarreia e vómitos, com recuperação espontânea na maioria dos casos ao fim de alguns dias. A identificação laboratorial do norovírus é considerada compatível com o padrão clínico observado.
A Autoridade Regional de Saúde sublinha, contudo, que a investigação epidemiológica e laboratorial continua em curso, incluindo a pesquisa de outros agentes que possam estar associados aos casos registados.
Uma das questões que está a ser acompanhada pelas autoridades é uma eventual relação entre os casos de gastroenterite e a qualidade da água.
Até ao momento, a ARS afirma que não existe evidência que permita associar os casos à água da rede pública de abastecimento.
Apesar disso, mantém-se a articulação preventiva com as entidades responsáveis pelos sistemas de abastecimento e a monitorização da qualidade da água e de outros possíveis fatores de exposição.
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Norovírus é altamente transmissível
O norovírus transmite-se com facilidade, nomeadamente por via fecal-oral e através do contacto com superfícies contaminadas. A transmissão também pode ocorrer através de alimentos ou água contaminados.
A elevada transmissibilidade explica o reforço das medidas de prevenção nas ilhas onde foi identificado um aumento de casos.
As autoridades de saúde recomendam a lavagem frequente das mãos com água e sabão e a limpeza e desinfeção das superfícies utilizadas com maior frequência, incluindo casas de banho, maçanetas, interruptores e telemóveis.
Aumento de casos já tinha sido identificado
A confirmação em São Miguel ocorre depois de as autoridades de saúde terem identificado um aumento anormal de casos de gastroenterite noutras ilhas dos Açores.
No Faial, onde o surto começou em meados de julho, o norovírus já tinha sido apontado como provável responsável. A RTP Açores noticiou que o surto tinha afetado quase 500 pessoas e que as autoridades não encontraram, até então, ligação à água da rede pública.
Também São Miguel e o Pico tinham registado um aumento anormal de casos, situação que levou a Autoridade Regional de Saúde a reforçar a vigilância epidemiológica.