Os preços em Moçambique aumentaram 0.2% em junho, desacelerando face a maio, mas a inflação homóloga agravou-se para 7.51%, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
O Índice de Preços no Consumidor (IPC) de junho do INE, consultado hoje (13) pela Lusa, indica que Moçambique “registou um aumento de preços na ordem de 0.2%”, face a maio (2.32%), influenciado sobretudo pelos setores dos Transportes e da Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, contribuindo, respetivamente, com 0,10 e 0,06 pontos percentuais.
Após uma crise no fornecimento de combustíveis durante o mês de abril, em Moçambique, devido ao conflito no Médio Oriente, o preço do litro de gasóleo subiu 45.5% em 7 de maio e o de gasolina 12.1%.
No relatório de junho do IPC destacam-se as variações mensais dos preços dos transportes semicoletivos urbanos e suburbanos de passageiros (2.3%), do cimento (2.2%), do peixe fresco (1.9%), dos detergentes em pó (1.9%) e dos transportes por barco e ferry-boat de passageiros (13.5%).
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O IPC de junho refere que a inflação acumulada desde janeiro de 2026 se cifra já nos 5.4%, enquanto a variação homóloga, face ao mesmo mês de 2025, agravou-se para 7.51%.
Os preços em Moçambique aumentaram 3.23% em todo o ano de 2025, segundo dados anteriores do INE, abaixo do registo de 2024 e das previsões do Governo.
Moçambique chegou a registar oito recuos mensais (deflação) no índice dos preços ao consumidor, em menos de um ano e meio, quatro dos quais entre abril e julho do ano passado, retomando as subidas a partir de agosto.
A inflação acumulada de 2024, segundo dados anteriores do INE, fixou-se nos 4.15%, que compara com os 5.3% de 2023, mas abaixo do pico de quase 13% atingido em julho de 2022. O Governo previa para 2025 uma inflação em torno de 7% em Moçambique, tal como a estimativa para 2026.
O Banco de Moçambique decidiu em 25 de maio manter a taxa de juro de referência em 9.25%, aumentou o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional e admitiu que a inflação possa disparar para dois dígitos devido à crise dos combustíveis provocada pelo conflito no Médio Oriente.
“Esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e ao seu impacto sobre a cadeia logística e a oferta de bens, assim como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos”, explicou então o governador do banco central, Rogério Zandamela.
A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), em Maputo, que se realiza a cada dois meses, e que decidiu manter a taxa inalterada, tal como já o tinha feito em março, então após 12 cortes (24 meses) consecutivos desde janeiro de 2024, com Zandamela a admitir que a continuidade da pausa neste “relaxamento” da taxa MIMO depende da evolução do contexto nacional e internacional.