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Petrolíferas evitam confrontar Trump, mas preparam-se para um novo choque no mercado do petróleo

As principais companhias petrolíferas internacionais reagiram com prudência ao anúncio de Donald Trump de que os Estados Unidos vão cobrar uma taxa de 20% sobre a carga transportada através do Estreito de Ormuz. Embora nenhuma das grandes empresas tenha criticado publicamente a medida, várias aceleraram planos de contingência perante o risco de novas perturbações no abastecimento mundial de crude.

A reação mais visível surgiu nos mercados financeiros. As ações de grandes grupos como BP, Shell, TotalEnergies, Eni e Equinor valorizaram depois do anúncio de Trump, acompanhando a subida do preço do petróleo. Os investidores antecipam que um eventual estrangulamento do comércio através do Estreito de Ormuz possa reduzir a oferta global e aumentar as margens de lucro das produtoras.

Nos bastidores, porém, o tom é mais cauteloso. Segundo analistas do setor, as grandes petrolíferas estão a rever rotas logísticas, contratos de transporte e planos de exportação a partir do Golfo Pérsico, receando que a nova taxa, associada ao agravamento das tensões entre Washington e Teerão, torne o transporte marítimo mais caro e imprevisível.

A preocupação é particularmente elevada porque cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo atravessa diariamente o Estreito de Ormuz. Qualquer atraso, aumento dos prémios de seguro ou redução do tráfego pode refletir-se rapidamente nos preços internacionais da energia. Após o anúncio de Trump, o Brent valorizou mais de 4%, aproximando-se dos 80 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) registou uma subida semelhante.

Embora as grandes empresas tenham evitado comentar oficialmente a nova taxa norte-americana, já tinham manifestado oposição à ideia de pagar portagens pela passagem no estreito quando essa hipótese foi levantada anteriormente durante a crise. O presidente executivo da Chevron, Mike Wirth, afirmou então que a empresa não tencionava aceitar qualquer pagamento para utilizar uma rota marítima internacional.

Leia mais: Trump quer cobrar portagens no Estreito de Ormuz. As razões por trás da medida que pode abalar o comércio mundial

As companhias procuram também reduzir a dependência do estreito através de infraestruturas alternativas. Nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita existem oleodutos que permitem exportar parte da produção sem passar por Ormuz, mas a sua capacidade continua insuficiente para substituir totalmente a principal via marítima do Golfo.

Bancos de investimento como a Goldman Sachs e a UBS estimam que esses projetos poderão aliviar parte da pressão nos próximos anos, mas não eliminam o risco imediato para os mercados energéticos.

Além do impacto operacional, as petrolíferas enfrentam uma nova incerteza jurídica. Especialistas em direito marítimo questionam se os Estados Unidos têm base legal para cobrar uma taxa sobre o tráfego num estreito internacional, o que poderá originar disputas diplomáticas e comerciais caso a medida avance.

Enquanto aguardam mais detalhes sobre a sua aplicação, as grandes produtoras optam por uma estratégia de discrição pública e preparação logística, num momento em que o mercado volta a ser dominado pelo risco geopolítico.

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