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Polícia faz buscas na casa de Bolsonaro sem encontrar armas. Porque avançou a operação judicial

A Polícia Federal realizou buscas na residência de Jair Bolsonaro para verificar o cumprimento da ordem de entrega das armas registadas em seu nome. A operação terminou sem apreensões, mas resulta de divergências entre os registos oficiais e as informações prestadas pela defesa

Lusa

A Polícia Federal do Brasil efetuou buscas por armas e munições na casa de Jair Bolsonaro, mas nada foi encontrado, informou a defesa do ex-Presidente brasileiro. O ex-Chefe de Estado cumpre prisão domiciliária desde 27 de março após permanecer internado num hospital em Brasília para tratamento de uma broncopneumonia bacteriana.

No mês passado, Bolsonaro teve que dar explicações às autoridades judiciais após um militar da sua segurança – abordado pela polícia local numa operação de rotina -, ter na sua posse uma pistola registada em nome de Bolsonaro.

A ação policial foi autorizada pelo juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, numa decisão consultada pela agência Lusa.

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Na última sexta-feira, Moraes revogou o porte de arma do ex-Presidente, ou seja, o registo de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), e determinou que Bolsonaro entregasse as 11 armas vinculadas no seu nome dentro de 48 horas.

Na terça-feira (7), os advogados de defesa do ex-Presidente informaram que Bolsonaro tinha apenas 10 armas, ao explicar que uma espingarda calibre 12 estava numa importadora no Rio Grande do Sul e que nunca foi retirada do local. A defesa comunicou ainda ao Supremo brasileiro que oito armas estavam em posse do Exército e outras duas pistolas estavam em posse da Polícia Federal desde 2023.

No despacho que autorizou o mandado de busca e apreensão de hoje, Moraes escreveu que a operação foi para “assegurar o efetivo cumprimento da ordem judicial de entrega integral das armas de fogo”.

Moraes escreveu ainda que a ação policial vai “afastar qualquer dúvida quanto à permanência de armamento sob a posse, direta ou indireta, do condenado”.

“A versão apresentada diverge dos dados constantes dos registos existentes e não foi acompanhada de documentação idónea capaz de comprovar a efetiva localização do armamento, a identidade do suposto depositário ou a regularidade da alegada custódia”, escreveu o juiz. Após concluir a operação, a Polícia Federal informou o juiz do Supremo brasileiro que nada foi encontrado na casa de Jair Bolsonaro na ação que durou cerca de hora e meia.

Nas redes sociais, um dos advogados de Jair Bolsonaro, João Henrique de Freitas, que acompanhou as buscas da polícia, escreveu que “é lamentável que um ex-Presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação”. “O mandado buscava armas, munições, acessórios e documentos de registo. A defesa já havia informado previamente o paradeiro de todas as armas. Resultado: nada foi encontrado”, indicou.

O filho mais velho de Bolsonaro, o senador e pré-candidato a Presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro, também criticou a operação policial, sobretudo a decisão de Alexandre de Moraes, a quem políticos bolsonaristas veem como inimigo político. “Foi muito ruim, muito constrangedor. Mais uma vez, uma situação em que a família toda sofre. É uma perseguição implacável com o [ex-]Presidente Bolsonaro”, declarou durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais.

Flávio chamou a medida ainda de “cortina de fumaça” e reiterou que a defesa do pai apresentou todos os esclarecimentos ao Supremo sobre a localização das armas registadas em nome do ex-Chefe de Estado.

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