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Grupo neonazi planeou atacar imigrante que confrontou André Ventura em arruada

O imigrante do Bangladesh que confrontou publicamente André Ventura durante uma arruada da campanha para as eleições europeias de 2024 foi identificado como o primeiro alvo do Movimento Armilar Lusitano (MAL), uma milícia neonazi atualmente acusada de crimes de terrorismo.

A informação consta do processo do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que descreve um plano concreto para atacar o cidadão estrangeiro devido à sua condição de imigrante e ao confronto com o líder do Chega, André Ventura.

De acordo com a investigação, após o episódio — amplamente difundido nas televisões e redes sociais — elementos do MAL recolheram dados pessoais da vítima, incluindo a morada e informações sobre a empresa onde trabalhava. Em mensagens trocadas entre membros do grupo, foi discutida a execução do ataque, com referência à necessidade de escolher o local e o momento adequados para a “missão”, expressão utilizada nas comunicações intercetadas.

O processo judicial revela ainda que o grupo planeou outras ações violentas, entre as quais a invasão da residência oficial do primeiro-ministro em Lisboa e ataques a alvos simbólicos. Entre esses alvos constavam a Mesquita do Martim Moniz e a sede do SOS Racismo. A investigação apurou que um dos líderes do MAL, agente da Polícia de Segurança Pública, terá acedido indevidamente a bases de dados policiais para recolher informação sensível com vista à preparação dessas ações.

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Segundo o despacho do DCIAP, o MAL mantinha contactos com outros grupos ultranacionalistas, como o Reconquista e o Habeas Corpus. Apesar de algumas conversas revelarem simpatia de membros do grupo pelo Chega, as autoridades sublinham que não existem indícios que liguem o partido à organização. Em escutas telefónicas, alguns dos arguidos chegaram a classificar o Chega como “brando” em matéria de imigração, considerando-o “mais um partido do sistema”.

Quatro dos principais elementos do Movimento Armilar Lusitano encontram-se em prisão preventiva desde junho do ano passado. O Ministério Público sustenta que subsistem perigos de continuação da atividade criminosa, perturbação da ordem pública e fuga, mantendo-se a investigação em curso para apurar a totalidade da rede, dos planos e dos meios logísticos do grupo.

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