Equipas de resgate e moradores foram vistos a escalar montes de escombros em busca de sobreviventes, na sequência da catástrofe que levou a líder venezuelana, Delcy Rodríguez, a declarar o estado de emergência.
Os sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, atingiram a mesma região da Venezuela na quarta-feira (24), segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), provocando o desmoronamento de edifícios na capital e obrigando ao encerramento do principal aeroporto do país.
Numa comunicação ao país na madrugada de quinta-feira, Rodríguez afirmou que o Governo recebeu informações sobre “32 mortos” e “mais de 700 feridos”, acrescentando que ainda não dispunha de dados completos sobre a região de La Guaira, próxima da capital, considerada a mais afetada.
Rodríguez adiantou anteriormente que os dois sismos foram seguidos por 20 réplicas. Os abalos geraram pânico na capital e levaram a população a sair para as ruas, observaram jornalistas da AFP.
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“As escadas desprenderam-se, a parede ficou toda rachada. Caíram coisas do teto. Foi horrível”, relatou Odalis Escalona, funcionária bancária de 54 anos.
Os Estados Unidos estão a “mobilizar imediatamente equipas de busca e salvamento, recursos médicos e ajuda humanitária para a Venezuela”, anunciou na quinta-feira o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira à noite que “os dois grandes sismos que atingiram o grande povo da Venezuela são de enorme magnitude e causaram um número devastador de vítimas mortais”.
Um jornalista da AFP observou um edifício de 22 andares completamente destruído no bairro de Altamira, em Caracas, onde familiares gritavam os nomes de pessoas desaparecidas enquanto voluntários percorriam os escombros. “Precisamos de lanternas”, pediu um dos voluntários.
O primeiro sismo, com epicentro a 21 quilómetros a oeste da localidade costeira de Morón, ocorreu às 22h04 GMT (06h05, na hora de Macau), segundo o USGS. Menos de um minuto depois, registou-se um segundo abalo de magnitude 7,5, cerca de 45 quilómetros mais distante.
“Este sismo foi o segundo evento de um duplo abalo sísmico. O sismo principal de magnitude 7,5 foi precedido, 39 segundos antes, por um abalo precursor de magnitude 7,2”, explicou o USGS.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, pediu à população para abandonar as suas habitações e informou que o fornecimento de gás foi interrompido em vários edifícios por precaução. “Temos algumas estruturas danificadas e não queremos que ocorra qualquer acidente relacionado com gás”, afirmou.
O Aeroporto Internacional de Maiquetía, situado perto de Caracas, foi encerrado devido a “danos graves” nas suas infraestruturas, disse Rodríguez. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram instalações severamente afetadas.
‘Não conseguíamos sair’
Os abalos ocorreram a profundidades de 22 quilómetros e 10 quilómetros, respetivamente. Os sismos provocaram gritos de pânico num centro comercial de Caracas, constatou um jornalista da AFP.
“Foi inacreditável, nem sequer sei quanto tempo durou”, disse Heidi Romero, comerciante que se encontrava no último piso quando ocorreu o sismo. “Saímos pelas escadas de emergência; foi assim que nos conseguiram retirar”, contou à AFP a mulher de 42 anos.
Dezenas de outras pessoas abandonaram edifícios na capital e permaneceram no exterior antes de regressarem aos seus escritórios e casas.
Carmen Guedez, de 69 anos, estava no mesmo quarto que a irmã acamada quando sentiu o abalo. “Foi ficando cada vez mais forte”, contou a administradora, que vive num bairro de classe média situado numa colina sobre a capital. “Comecei a ver as janelas a mexer e depois tudo começou a tremer.”
Guedez descreveu como se “encolheu” juntamente com a irmã e uma vizinha, acrescentando que “não conseguíamos sair. Os vizinhos continuam na rua”. Segundo Cabello, os estados de Trujillo, Carabobo, Miranda e La Guaira foram os mais afetados.
Sentido além-fronteiras
O sismo foi sentido até Bogotá, capital da Colômbia, onde foram acionados alarmes e alguns residentes evacuaram edifícios por precaução.
Freddy Tovar, coordenador da Rede Sismológica Nacional da Colômbia, afirmou que foram recebidos mais de 200 relatos de tremores em todo o país. “As características deste evento sísmico significam que poderão ocorrer réplicas, que também poderão ser sentidas de forma ampla em território colombiano”, afirmou num vídeo divulgado na rede social X.
A agência colombiana de gestão de catástrofes, UNGRD, afastou a possibilidade de ocorrência de um tsunami na sequência dos sismos.
“SEM tsunami, SEM perigo resultante de um sismo recente”, indicou o Centro Nacional de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos numa publicação na rede social X.
Os sismos mais fortes da história recente da Venezuela ocorreram no nordeste do país, em 1997, causando 73 mortos, e em Caracas, em 1967, quando morreram 236 pessoas.
Pouco depois dos dois sismos registados na Venezuela na quarta-feira, um abalo de magnitude 7,2 atingiu o norte do Japão, informou a agência meteorológica japonesa, sem que tenham sido registadas vítimas ou danos materiais.