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Megaoperação com quase 400 inspetores expõe rede de favorecimentos no PS. O que está em causa e o impacto político imediato

Uma megaoperação envolvendo quase 400 inspetores da Polícia Judiciária desencadeou detenções relacionadas com uma rede de favorecimentos ligados ao Partido Socialista.

A investigação, conduzida pela Polícia Judiciária, mobilizou cerca de 400 inspetores e peritos, além de sete magistrados do Ministério Público, no cumprimento de 92 mandados de busca — 60 domiciliários e 32 não domiciliários — nas zonas de Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra. No total, foram constituídos 37 arguidos e efetuadas cinco detenções: quatro fora de flagrante delito e uma em flagrante por posse ilegal de arma.

Entre os detidos encontra-se Duarte Moral, antigo assessor do ex-primeiro-ministro António Costa e atual colaborador na área da comunicação do secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro. Segundo informação avançada por vários órgãos de comunicação social, a investigação incide sobre a atividade de uma empresa de comunicação criada em 2021, suspeita de ter beneficiado de adjudicações públicas irregulares.

No centro do processo estão suspeitas de crimes de prevaricação, participação económica em negócio, peculato, abuso de poderes, burla qualificada, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada. Em causa estarão procedimentos de ajuste direto e consultas prévias promovidos por autarquias, alegadamente em violação das normas legais e com impacto financeiro negativo para o Estado.

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Um dos principais epicentros da investigação é a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, anteriormente presidida por Miguel Coelho (PS). As autoridades investigam adjudicações de serviços por ajuste direto que terão ultrapassado os 800 mil euros entre 2016 e 2022.

Em comunicado, o Partido Socialista confirmou que foram realizadas buscas na sua sede nacional, sublinhando que as diligências dizem respeito à atuação individual de um trabalhador e não ao partido enquanto instituição. O PS garantiu estar a colaborar com as autoridades, reiterando o respeito pelos princípios do Estado de direito.

Os cinco detidos serão presentes ao Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para primeiro interrogatório judicial, onde poderão ser aplicadas medidas de coação. A investigação prossegue, não sendo excluídas novas diligências ou desenvolvimentos no processo.

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