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Ex-preso político pede “ação firme” de Portugal e ONU pela libertação de portugueses na Venezuela

O ex-preso político luso-venezuelano Williams Dávila pediu hoje (18) à comunidade internacional, em particular a Portugal, "uma posição mais firme" pela libertação dos cinco portugueses ainda detidos na Venezuela e que leve o assunto à Organização das Nações Unidas (ONU)

Lusa

“A comunidade internacional, em geral, deve exercer muito mais pressão, porque o regime atual é perito em ganhar tempo e em manipular as aparências e as perspetivas”, disse à Lusa o ex-governador de Mérida e porta-voz da Rede de Ex-Presos pela Democracia.

Williams Dávila explicou que “a comunidade internacional, sobretudo Portugal (…) deve ser mais ativa, mais firme nas suas declarações, levar essa questão ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (…) e exigir ao secretário-geral das Nações Unidas uma posição firme”.

O ex-governador explicou à Lusa que ele próprio esteve 578 dias preso e que em julho de 2025 foi libertado, depois de passar mais de 10 meses hospitalizado num centro médico em Caracas.

A ONU, lembrou, dispõe “de provas e documentos suficientes para exigir de forma contundente a libertação de todos os presos políticos e, sobretudo, dos compatriotas portugueses”, sublinhou.

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Salvaguardando que, no seu caso, Portugal “portou-se muito bem”, Dávila disse que visitou recentemente o embaixador Manuel Frederico Pinheiro da Silva para agradecer o apoio do Governo português, e “também para exigir a libertação dos compatriotas portugueses que ainda estão detidos”.

“Há cinco pessoas [luso-venezuelanas] detidas, mas temos os nomes apenas de quatro porque, no caso da outra, os familiares não querem que o seu nome seja divulgado”, disse. Frisou ainda que há militares entre os portugueses detidos e que toda a comunidade local deve ser solidária com eles.

Williams Dávila explicou ainda que o seu próprio caso e o de outros presos políticos venezuelanos foram classificados pela ONU como “desaparecimentos forçados”.

Por outro lado, denunciou que a Venezuela deixou de aplicar a Lei de Amnistia aprovada em fevereiro de 2026, após a detenção do Presidente Nicolas Maduro pelos Estados Unidos, deixando pelo menos 500 pessoas presas por motivos políticos.

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“Ao revogar a amnistia, o Estado está a retirar-nos o direito à reparação, quando devia de assumir a responsabilidade pelos danos e prejuízos que nos causaram e aos nossos familiares”, disse.

Perante esta realidade, explicou, foi criada a Rede de Ex-Presos pela Democracia, composta por ex-detidos e da qual é porta-voz, para “trocar informações, elaborar planos e realizar ações” pela libertação dos presos políticos e também “para exigir que a amnistia seja restabelecida”.

“A amnistia foi suspensa e a Comissão de Acompanhamento da Assembleia Nacional foi substituída por um Plano de Atenção Integral em que o próprio Estado se encarrega de desmantelar a amnistia, quando ainda há 500 pessoas presas por motivos políticos”, explicou.

Williams Dávila lamentou o impacto psicológico e social a que estão submetidos os presos políticos que, disse, depois de libertados ficam sem trabalho e sem amigos.

Se se sabe que alguém é “amigo de um ex-preso político”, então as “pessoas tomam precauções porque o Estado repressivo ainda está em vigor e esse é um dos impactos económicos e sociais que enfrentamos”, disse.

O luso-venezuelano denunciou ainda que o Estado venezuelano não está a respeitar a propriedade privada, que não está a devolver os bens que foram confiscados aquando das detenções arbitrárias.

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