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PR cabo-verdiano pede reforço do diálogo com EUA

José Maria Neves diz que Cabo Verde deve “continuar a criar pontos, a dialogar e a defender os interesses dos cabo-verdianos”, perante contextos de maior restrição à mobilidade

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O Presidente cabo-verdiano defendeu hoje o reforço do diálogo com os Estados Unidos para proteger os interesses da diáspora, após o país norte-americano ter limitado a emissão de vistos para cidadãos de vários países, incluindo Cabo Verde.

“Há essas medidas mais restritivas, mas temos que continuar a dialogar com o Governo dos Estados Unidos, mostrando-lhes que Cabo Verde, até pela sua dimensão, pela importância da sua comunidade nos Estados Unidos” deu “um contributo desde há séculos para o desenvolvimento dos Estados Unidos”, afirmou José Maria Neves, citado pela Televisão de Cabo Verde (TCV).

O chefe de Estado sublinhou que os cabo-verdianos “são o primeiro povo livre de África a chegar aos Estados Unidos, ainda antes da independência norte-americana, e são também património desses países, mas acabam sempre por sofrer estigmas enquanto imigrantes nos diferentes países de acolhimento”.

Acrescentou que Cabo Verde deve “continuar a criar pontos, a dialogar e a defender os interesses dos cabo-verdianos”, perante contextos de maior restrição à mobilidade.

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Desde 21 de janeiro, Cabo Verde integra uma lista de 38 Estados cujos cidadãos que viajem a negócios ou turismo têm de prestar uma caução até 15.000 dólares (12.876 euros) e passou também a integrar uma lista de 75 países suspensos do processo de obtenção de vistos de emigração para os EUA.

Na altura, o Presidente cabo-verdiano defendeu que o país deve fazer “o trabalho de casa” para enfrentar medidas discriminatórias ou restrições à mobilidade como as anunciadas pelos Estados Unidos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, José Luís Livramento, considerou ainda que as decisões “afetam de modo grave os cidadãos de Cabo Verde na sua expectativa de mobilidade entre os dois países”.

Também a Associação Cabo-verdiana de Brockton, nos Estados Unidos, defendeu em janeiro, em declarações à Lusa, que o Governo deve criar um plano para receber emigrantes que regressem, face às dificuldades que possam surgir.

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Em causa, estão as políticas norte-americanas que têm reforçado restrições à mobilidade e à presença ilegal no país.

O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, encontrou-se em fevereiro com a diáspora nos Estados Unidos, no âmbito de uma deslocação oficial, duas semanas após a entrada em vigor das restrições.

Segundo o Governo, a visita teve como objetivo o contacto direto com a comunidade, líderes associativos e representantes eleitos de origem cabo-verdiana, além de encontros institucionais considerados estratégicos.

Os Estados Unidos são um dos principais destinos da diáspora cabo-verdiana e o arquipélago vai disputar este ano o seu primeiro Campeonato do Mundo de futebol em solo norte-americano.

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