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Morreu Álvaro Cassuto, referência maior da direção de orquestra em Portugal

O maestro Álvaro Cassuto, considerado uma das figuras mais conceituadas da direção de orquestra em Portugal, morreu esta segunda-feira, aos 87 anos, na sua residência no Guincho, em Cascais. A informação foi confirmada à agência Lusa por fonte próxima da família.

Nascido no Porto a 17 de novembro de 1938, Álvaro Leon Cassuto construiu uma carreira de projeção internacional, marcada pela colaboração com algumas das mais prestigiadas orquestras do mundo e por um papel decisivo na divulgação da música portuguesa, em particular da obra do compositor Joly Braga Santos, de quem foi amigo e um dos principais intérpretes.

A sua formação musical incluiu estudos com Artur Santos e Fernando Lopes-Graça, bem como a frequência dos cursos internacionais de Darmstadt, na Alemanha, onde contactou com nomes centrais da música contemporânea europeia. Estudou direção de orquestra com Pedro de Freitas Branco e, mais tarde, em Berlim, com Herbert von Karajan, por quem assumia grande admiração.

Cassuto estreou-se como maestro em 1961, aos 22 anos, à frente da Orquestra do Porto. Entre 1965 e 1975, foi maestro-assistente e subdiretor da Orquestra Gulbenkian. Em 1969, recebeu nos Estados Unidos o Prémio Serge Koussevitzky, atribuído a jovens maestros pelo Tanglewood Music Center.

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Radicado nos Estados Unidos entre 1968 e 1986, desenvolveu uma intensa atividade pedagógica e artística, tendo sido professor universitário, maestro titular da Filarmónica de Rhode Island e da Orquestra Nacional de Nova Iorque, além de colaborador próximo do maestro Leopold Stokowski. Lecionou também na Juilliard School of Music, em Nova Iorque.

Em Portugal, exerceu durante vários anos funções de direção artística e musical, nomeadamente na Orquestra Sinfónica da Radiodifusão Portuguesa. No regresso definitivo ao país, em 1988, fundou a Nova Filarmonia Portuguesa e esteve na origem de projetos estruturantes como a Orquestra Sinfónica Portuguesa e a Orquestra do Algarve. Dirigiu ainda a Orquestra Metropolitana de Lisboa e várias formações internacionais, incluindo orquestras no Reino Unido, França, Itália, Rússia, Espanha e Israel.

Em 2009, no ano em que celebrou 50 anos de carreira, foi homenageado no Coliseu do Porto e agraciado, a 10 de junho, com o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada pelo então Presidente da República Aníbal Cavaco Silva.

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