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Fundação José Saramago questiona critérios para retirada de obras obrigatórias do escritor no 12.º ano

A Fundação José Saramago manifestou esta segunda-feira reservas quanto à proposta preliminar de alteração das aprendizagens essenciais do 12.º ano, que deixa de tornar obrigatória a leitura de obras do Nobel português no ensino secundário, defendendo uma solução que agregue autores em vez de os colocar como alternativas.

A fundação sublinha que a sua posição “será sempre a de agregar e não de colocar em comparação ou oposição”, sugerindo à comissão responsável pela revisão curricular que substitua a palavra “ou” por “e” na lista de romances de leitura obrigatória. A proposta permitiria que obras de José Saramago fossem estudadas em conjunto com textos de Mário de Carvalho, escritor que a fundação considera “merecedor de toda a admiração”.

A revisão em consulta pública prevê que, no domínio do romance, deixe de haver duas obras de Saramago como opção — Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis — passando a existir a alternativa de Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho. Para a Fundação José Saramago, esta alteração levanta dúvidas quanto aos critérios adotados e abre a possibilidade de outros autores do cânone da literatura portuguesa deixarem de integrar a lista de leituras obrigatórias.

“Abrangerá esta proposta outros autores que integram o cânone da Literatura Portuguesa, colocando-os como leitura sugerida e não obrigatória?”, questiona a fundação, presidida por Pilar del Río.

As mudanças propostas estendem-se também ao conto e à poesia. No conto, passa a ser obrigatória a leitura de George, de Maria Judite de Carvalho, mantendo-se um conjunto alargado de autores em regime de contrato de leitura. Já na poesia, a proposta prevê a saída de nomes como Miguel Torga, Herberto Helder ou Manuel Alegre, e a entrada de outros autores e correntes, incluindo poesia visual.

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O documento sugere ainda o reforço do estudo da obra de Fernando Pessoa e a integração de autores como Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro e Teixeira de Pascoaes.

No comunicado, a Fundação José Saramago recorda as palavras finais do discurso de agradecimento do Nobel da Literatura, em 1998, sublinhando a importância coletiva da literatura portuguesa e de língua portuguesa.

A versão revista das aprendizagens essenciais foi colocada em consulta pública pelo Governo na passada sexta-feira. O processo decorrerá durante um mês e destina-se a recolher contributos da comunidade educativa, especialistas e sociedade civil.

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