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Angola abre terras à China

Angola vai ceder cerca de 800 mil hectares de terra a empresários brasileiros e chineses, numa estratégia para aumentar a produção agrícola e reduzir a dependência alimentar, com Adriano António Pimentel Henriques, chefe de Departamento Provincial do Instituto de Desenvolvimento Florestal a defender que a iniciativa permitirá “acelerar o desenvolvimento do setor” e criar “uma cadeia de valor sustentável”

Gonçalo Francisco

O Governo de Angola avançou com a concessão de grandes áreas de terra a empresários brasileiros e chineses para impulsionar a produção agrícola no país, com foco na produção em larga escala de cereais, oleaginosas e carnes. A estratégia faz parte de uma nova fase de cooperação internacional que visa não só aumentar a produção interna de alimentos, mas também tornar Angola um exportador regional de produtos agrícolas.

Segundo o Portal do Governo de Angola, o Estado vai ceder territórios na ordem dos 800 mil hectares nas províncias de Malanje e Cuanza-Norte para a instalação de grandes fazendas. Nessas áreas serão cultivados soja, milho, algodão, laranja, carne bovina, de aves e suína, setores nos quais Brasil e China se destacam por capacidades tecnológicas e produtivas.

Neste momento, o movimento surge num contexto de negociações avançadas com o Governo brasileiro para estabelecer um acordo de cooperação agrícola que inclua a transferência de tecnologia e investimentos privados estimados em cerca de 120 milhões de dólares para projetos nas regiões agrícolas citadas. O objetivo é aumentar a capacidade produtiva local e criar condições para exportação, reduzindo a dependência das importações de alimentos.

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Outra das grandes operações previstas é um projeto liderado pela chinesa CITIC, que já anunciou um investimento de 250 milhões de dólares para desenvolver até 100 000 hectares de terras para cultivo de milho e soja no país, com parte da produção planejada para exportação.

Esta iniciativa não é apenas a concessão de terreno. É o início de uma parceria de longo prazo com foco em tecnologia, integração das comunidades agrícolas e criação de uma cadeia de valor sustentável que beneficie Angola de valor sustentável que beneficie Angola – Adriano António Pimentel Henriques, chefe de Departamento Provincial do Instituto de Desenvolvimento Florestal no Cuanza-Norte

Ainda sobre o papel dos capitais chineses, projetos como os anunciados pela empresa CR20 incluem um investimento de dezenas de milhões de dólares no cultivo de milho e soja em milhar­es de hectares, com uma parte significativa da produção destinada a mercados externos, numa clara aposta de integração de Angola nas cadeias comerciais China-centradas de cereais e produtos agrícolas.

Em declarações ao PLATAFORMA, Adriano António Pimentel Henriques, chefe de Departamento Provincial do Instituto de Desenvolvimento Florestal no Cuanza-Norte, destacou a visão estratégica do processo.

“Optámos por parceiros brasileiros e chineses porque estes países têm comprovada experiência em produção agrícola em grande escala e tecnologias avançadas que se adaptam ao clima tropical. O Brasil é referência em soja, milho e algodão, enquanto a China tem competências em mecanização agrícola e integração logística. Esta combinação permite acelerar o desenvolvimento do setor, gerar empregos e criar uma cadeia de valor sustentável que beneficie Angola”, disse, apostando numa parceria longa.

Benefício sustentável

“Esta iniciativa não é apenas a concessão de terreno. É o início de uma parceria de longo prazo com foco em tecnologia, integração das comunidades agrícolas e criação de uma cadeia de valor sustentável que beneficie Angola. Queremos produção robusta e sustentável, ligada à segurança alimentar e à criação de emprego, afirmou, referindo logo depois que da China e do Brasil virá, sobretudo, conhecimento.

“O envolvimento de parceiros chineses e brasileiros não é apenas capital financeiro. É transferência de conhecimento técnico em práticas agrícolas de alto rendimento e mecanismos de planejamento integrado, o que falta há décadas no nosso sector rural”, disse.

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Adriano Henriques reforçou que os investimentos deverão “incluir não apenas a instalação de tais fazendas, mas também a formação técnica de mão de obra local e a construção de infraestruturas associadas, como sistemas de irrigação e silos, para garantir a sustentabilidade das operações”.

A mesma estratégia tem sido seguida em projetos de investimento industrial e logístico, integrando esforços públicos e privados para impulsionar sectores como agricultura, fertilizantes e infraestruturas de transporte.

O Governo angolano também conta com a participação de bancos locais no financiamento das operações, bem como com mecanismos de apoio institucional para garantir que os projetos avancem de forma ordenada e em benefício da economia nacional.

A combinação de concessões de terra, investimento estrangeiro e transferência de tecnologia coloca “Angola como um potencial novo polo agrícola, com grande extensão de terras aráveis ainda subutilizadas e clima favorável à produção de culturas tropicais”, disse o governante, salientando também que esta aposta pode, no futuro, posicionar o país “como um protagonista no mercado agrícola global e atrair fluxos adicionais de investimento na região”.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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