O MP do distrito de Yunlin, no oeste de Taiwan, anunciou na segunda-feira à noite a conclusão da investigação a um grupo criminoso que terá recrutado pessoas para adquirir fichas de jogo em casinos de Macau através de cartões de crédito.
Os suspeitos – incluindo os dois alegados cabecilhas, um homem de 37 anos de apelido Chen e um homem de 36 anos de apelido Lin – foram acusados de branqueamento de capitais e outros crimes, referiram os procuradores, num comunicado.
Horas antes, a polícia de Taiwan tinha dito que os dois homens, que continuam em fuga e são alvo de um mandado de detenção válido por 20 anos, operavam uma rede de jogo ilegal ‘online’.
O Departamento de Investigação Criminal (CIB, na sigla em inglês) de Taiwan disse que a investigação começou depois de ter identificado fluxos suspeitos de várias contas bancárias sinalizadas por ligações ao crime.
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De acordo com um comunicado do CIB, o dinheiro era transferido para contas cujos titulares pediam cartões de crédito com limites altos.
Os agentes do grupo usaram pelo menos 85 cartões de crédito para comprar fichas de jogo em casinos de Macau, que eram mais tarde convertidas em dólares de Hong Kong.
O CIB disse que este é o primeiro caso de branqueamento transfronteiriço de capitais, com recurso a casinos, descoberto pelas forças policiais de Taiwan.
A operação levou à detenção de 20 pessoas, o congelamento de quase 231 milhões de dólares taiwaneses (6,22 milhões de euros) em contas bancárias e a apreensão de 2,62 milhões de dólares taiwaneses (71 mil euros) em dinheiro.
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A Lusa perguntou ao Gabinete de Inteligência Financeira (GIF) de Macau se estava a acompanhar o caso, mas não recebeu até ao momento qualquer resposta. O número de transações suspeitas registadas nos casinos de Macau, capital mundial do jogo, caiu 6,1% em 2025, de acordo com dados oficiais.
O GIF referiu que as seis operadoras de casinos na região chinesa submeteram, no total, 3.603 participações de transações suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo.
Casinos, bancos, seguradoras e outras instituições e entidades, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transação igual ou superior a 500 mil patacas (cerca de 53.600 euros).
Em março de 2022, o Departamento de Estado dos EUA designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial, apontando os angariadores de grandes apostadores e as “atividades ilícitas que eles muitas vezes facilitam”.