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Militares no poder na Guiné-Bissau recusam “diplomacia de corredor hostil” de Portugal

A posição consta de uma “nota de repúdio e advertência final ao Governo de Portugal” divulgada pelo Conselho que substituiu o parlamento guineense

O Conselho Nacional de Transição (CNT) acusou hoje o Governo português de hostilizar as autoridades no poder na Guiné-Bissau e de praticar uma diplomacia de “conluios de corredor”.

A posição consta de uma “nota de repúdio e advertência final ao Governo de Portugal” divulgada hoje pelo Conselho que substituiu o parlamento guineense desde o golpe militar de novembro de 2025.

A reação dos militares segue-se às declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, que disse, na sexta-feira em Paris, que Portugal tem falado “com algum recato” com parceiros lusófonos, sobretudo Angola e Brasil, para procurar que a Guiné-Bissau volte a ser uma democracia.

Na nota divulgada em Bissau e enviada à Lusa, o Conselho Nacional de Transição começa por “advertir o ministro Paulo Rangel” de que “quando pretender falar da Guiné-Bissau, deve dirigir-se aos guineenses e às suas autoridades legítimas”.

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“O golpe de Estado é uma realidade que o CNT e o Alto Comando Militar estão a gerir para salvar a nação e não aceitaremos que Portugal se arvore em juiz de uma casa que já não é sua”, destaca-se na nota.

Os militares no poder na Guiné-Bissau avisam que “esta será a última vez” que toleram “a interferência de Paulo Rangel nos assuntos internos” do país, acrescentando que nem o ministro português, nem Portugal, “possuem qualquer legitimidade para ditar normas à Guiné-Bissau”.

“Desde a sua chegada ao poder, o atual Governo português perfilou por uma política deliberadamente hostil para com a Guiné-Bissau e o seu povo, rompendo assim com o excelente relacionamento e sã cooperação que vínhamos mantendo com os governos anteriores de Portugal”, continua.

Um homem transporta mercadorias no mercado em Bissau. Foto José Sena Goulão/LUSA

O CNT considera que a postura do Governo português “revela uma profunda falta de sapiência e de maturidade política”, enquanto “outras potências europeias, como a França, demonstram maturidade ao receber o Presidente de transição do Madagáscar, reconhecendo a realidade política do terreno em nome do interesse nacional e da estabilidade”.

“Ao contrário, o Governo de Portugal prefere a hostilização estéril de Bissau. Esta diferença de postura é a prova da decadência diplomática da atual liderança das Necessidades (sede do MNE português)”, refere-se no comunicado.

Os militares no poder na Guiné-Bissau acrescentam que “a diplomacia faz-se às claras, com dignidade e não em conluios de corredor que visam reabilitar gentes, cujas raízes do ódio, vingança e ditadura feroz” são conhecidas do povo guineense.

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O CNT deixa claro que “a Guiné-Bissau nunca reconhecerá a presidência de Timor-Leste da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e que não admitirá “ingerências de Portugal sob o manto de uma diplomacia de recato e confidencialidade”.

No comunicado dos militares faz-se ainda referência às declarações do ministro português sobre a continuidade da cooperação de Portugal com a Guiné-Bissau na saúde e educação, para afirmar que “a cooperação não é esmola”.

“Milhares de guineenses vivem, trabalham e são pilares fundamentais do crescimento económico de Portugal”, refere-se no comunicado, defendendo-se que “esta contribuição silenciosa” dá o direito à Guiné-Bissau de exigir “uma cooperação sã, de igual para igual, despida de complexos colonialistas e de paternalismos asfixiantes”.

Desde o golpe militar de novembro de 2025 que a Guiné-Bissau está suspensa de diversas organizações, nomeadamente da CPLP, a única que ainda não enviou uma missão ao país de mediação da situação política.

Agendada para fevereiro, a mesma foi cancelada depois de troca de acusações ao mais alto nível entre a Guiné-Bissau e Timor-Leste.

Bissau tinha a presidência da organização que foi entregue temporariamente a Timor-Leste, depois da suspensão.

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