O Presidente norte-americano afirmou hoje, 18 de março, que a sua visita à China só deve consumar-se daqui a “cinco ou seis semanas”, após ter pedido um adiamento de “cerca de um mês” devido à guerra no Irão.
“Mantemos excelentes relações de trabalho com a China, por isso iremos lá dentro de cinco ou seis semanas”, afirmou Donald Trump aos jornalistas na Casa Branca.
Já o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Lin Jian, negou hoje que o adiamento solicitado por Trump esteja relacionado com a recusa de Pequim em participar na reabertura do estreito de Ormuz, fechado à navegação por Teerão aos navios de inimigos.
O porta-voz referiu-se a estas informações, que têm surgido nos últimos dias nos meios de comunicação social, como falsas e salientou que Washington já se encarregou anteriormente de desmentir estas afirmações.
Leia também: Trump afirma que EUA dispensam apoio de aliados da NATO no estreito de Ormuz
“Queremos deixar claro que a alteração da data da visita não tem nada a ver com a questão da navegação no estreito de Ormuz”, sublinhou o porta-voz numa conferência de imprensa, segundo o jornal chinês “Global Times”.
Lin também respondeu às perguntas da imprensa sobre possíveis datas, afirmando que não há novidades a esse respeito, enquanto Washington e Pequim continuam em contacto para preparar um possível encontro entre Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping. “Por enquanto, não tenho mais informações a fornecer”, concluiu.
“Quero estar aqui [em Washington] por causa da guerra [no Médio Oriente]. Sinto que preciso de estar aqui”, disse Trump anteriormente na Casa Branca. “Pedimos [à China] para adiar por cerca de um mês, e estou ansioso por estar com eles. Temos uma ótima relação”, adiantou.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, já havia avançado que havia a possibilidade de adiamento da viagem de Trump a Pequim, agendada entre 31 de março e 3 de abril, uma vez que o Presidente está focado na ofensiva contra o Irão.
Durante o fim de semana, Trump sugeriu, em entrevista ao Financial Times, que poderia adiar a visita ao país asiático até conhecer a posição de Pequim sobre a sua disponibilidade para ajudar a garantir a segurança do estreito de Ormuz, uma importante via navegável para o trânsito de petróleo que foi bloqueada pelo Irão em retaliação pelos ataques norte-americanos e israelitas, iniciados em 28 de fevereiro.
No entanto, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, que se reuniu com representantes chineses em Paris na segunda-feira para dar continuidade às negociações comerciais entre as duas superpotências, disse aos jornalistas que um possível adiamento da viagem não se devia a divergências sobre a situação no estreito de Ormuz. “Um adiamento não seria consequência de um pedido do Presidente não ser atendido”, afirmou Bessent.
A concretizar-se, esta será a segunda visita de Trump à China, depois da realizada em 2017, durante o seu primeiro mandato. Os dois líderes encontraram-se pela última vez em outubro do ano passado, na Coreia do Sul.
Os preparativos para a viagem coincidem com um contexto de incerteza comercial, depois do Supremo Tribunal norte-americano ter limitado recentemente a imposição de tarifas generalizadas à China e outros parceiros comerciais da maior economia mundial.