Macau, “enquanto pequena economia aberta e fortemente dependente do exterior, enfrenta múltiplas incertezas e desafios”, afirmou Sam Hou Fai no discurso de abertura da primeira sessão de 2026 do Conselho de Desenvolvimento Económico, apelando aos empresários presentes para que estejam preparados para os enfrentar e que incentivem ao investimento e diversificação da economia local, fortemente dependente da indústria do jogo.
“Atualmente, no contexto da evolução acelerada e da transformação sem precedentes do último século em todo o globo, os conflitos geopolíticos continuam a intensificar-se, a recuperação económica mundial enfrenta entraves e diversos fatores de incerteza, assim como se sobrepõem as perturbações nas cadeias de abastecimento, tornando o ambiente externo de desenvolvimento significativamente mais complexo, grave e incerto”, disse o Chefe do Executivo.
Sam Hou Fai indicou ainda que o Governo de Macau vai avaliar os “pontos de convergência” possíveis com o 15.º Plano Quinquenal do país aprovado este mês durante os encontros da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), denominados como “Duas Sessões”, em Pequim.
A China estabeleceu nestes encontros uma meta de crescimento do PIB de 4.5% a 5% para 2026, a mais baixa desde 1991, sinalizando um foco na estabilidade e qualidade sobre velocidade e prioritizando investimentos estratégicos, tecnologia e consumo interno.
O Produto Interno Bruto (PIB) per capita de Macau cresceu 4.3% em 2025, ultrapassando 63.600 euros, o segundo valor mais elevado da Ásia.
No entanto, a agência de notação financeira Fitch previu que o crescimento do PIB irá desacelerar para 4% em 2026, porque as condições económicas “mais fracas” irão “pesar cada vez mais sobre os turistas chineses”.
“Macau enfrenta numerosos desafios ao seu desenvolvimento, mas esperamos avançar em conjunto. A construção da Grande Baía avança com resultados bem visíveis, e a nova vaga de tecnologia tem injetado uma nova dinâmica de desenvolvimento. Devemos ter em consciência a adversidade prevenindo os riscos e avaliando o pulso do desenvolvimento nacional”, destacou Sam Hou Fai.
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“Espero que vocês, como empresários, estejam preparados para agarrar as oportunidades, reforçando o investimento em Hengqin de maneira a injetar nova vitalidade. Espero que possam também acompanhar de perto os assuntos de desequilíbrio e dificuldades enfrentados pelas Pequenas e Médias Empresas”, destacou.
O Governo Central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin, como uma área económica especial destinada a apoiar a diversificação da economia da Região Administrativa Especial.
Criado em 2023, o Conselho de Desenvolvimento Económico de Macau, que hoje realiza a primeira reunião do ano, é um organismo consultivo do Governo de Macau, cuja finalidade é disponibilizar pareceres e apresentar propostas sobre a formulação de estratégias para o desenvolvimento económico da cidade assim como políticas relacionadas com a economia.
Além do Chefe do Executivo e do secretário para a Economia, o organismo inclui representantes de associações de interesses económicos e profissionais assim como “individualidades de reconhecido mérito” na respetiva área.