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Quebra nas exportações leva Angola a olhar para Macau

A queda de 10.8% nas exportações angolanas para a China, nos primeiros 11 meses de 2025, está a reforçar a atenção dada a Macau e ao Fórum Macau como plataformas para diversificar mercados e reduzir a dependência do petróleo

Gonçalo Francisco

As exportações de mercadorias de Angola para a China registaram uma queda significativa no início de 2025, colocando em evidência a dependência do país nas vendas de petróleo bruto ao principal parceiro comercial asiático.

Dados dos Serviços de Alfândega da China indicam que, nos primeiros dois meses do ano, as vendas de produtos angolanos ao mercado chinês recuaram cerca de 16.4% em comparação com o mesmo período de 2024, quebrando uma tendência histórica de crescimento centrada sobretudo no petróleo.

Helena Cardoso, da Associação das Indústrias de Materiais de Angola (AIA), associa esta tendência à “volatilidade dos preços internacionais do crude e à desaceleração da procura global”, fatores que têm afetado diretamente a receita das exportações petrolíferas angolanas, explica ao PLATAFORMA.

Assim, tanto especialistas como representantes do setor privado começam a olhar para Macau e o Fórum Macau como alternativas estratégicas ao mercado chinês continental.

Segundo Helena Cardoso, “Macau e o Fórum Macau oferecem oportunidades para diversificar negócios e comércio com o Oriente sem depender exclusivamente da venda de petróleo à China. É uma forma de aumentar os negócios com outros parceiros regionais e explorar setores como agroindústria, tecnologia e serviços”.

Nesta mesma linha, José Domingos, membro da direção da Confederação Empresarial Angolana, destacou que “a cooperação com a China continua crucial, mas é tempo de construir uma carteira de exportações mais resiliente. A queda observada pode servir de catalisador para investimentos que elevem a competitividade das nossas empresas fora do sector petrolífero”.

Relatórios setoriais apontam ainda que a baixa diversificação da base exportadora agravou o impacto destas perturbações externas, deixando Angola particularmente vulnerável às flutuações internacionais.

Face a este cenário, o tecido empresarial do país manifesta preocupação, mas também propõe soluções de ação e diversificação. “É evidente que a queda de mais de 10% nas exportações para a China não é um fenómeno isolado. Demonstra a fragilidade da nossa estrutura produtiva e a excessiva dependência do petróleo”, diz Helena Cardoso.

“Precisamos urgentemente de reforçar a nossa capacidade de produzir e exportar bens com maior valor acrescentado, como produtos agroindustriais e manufaturados, que possam encontrar mercado não apenas na China, mas também noutras economias emergentes e desenvolvidas”, sublinha.

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Do lado do executivo, uma fonte do Ministério das Relações Exteriores e Cooperação de Angola diz ao PLATAFORMA que o Governo está “claramente preocupado com a retração das exportações para a China, mas não apanhado de surpresa”.  Segundo este responsável, a variação resulta de “fatores exógenos, como o abrandamento da economia chinesa e pressões sobre os preços das commodities, assim como de restruturações estratégicas em curso no mercado energético global”.

A mesma fonte acrescentou que o executivo está a trabalhar em “políticas que incentivem a diversificação da economia, incluindo concessão de incentivos fiscais e apoio à internacionalização de setores como agricultura, transformação industrial leve e tecnologias ligadas à economia digital”. O objetivo é reduzir a vulnerabilidade de Angola às flutuações dos mercados internacionais e construir uma base exportadora mais ampla e sustentável.

Enquanto isso, operadores económicos esperam que o ajuste nas relações comerciais com a China sirva de impulso para modernização produtiva e abertura a novos mercados. “A cooperação bilateral entre os dois países continua sólida, mas o desafio de transformar essa cooperação em crescimento exportador equilibrado permanece central em Luanda. Macau e o Fórum Macau podem desempenhar um papel estratégico nesse esforço, permitindo explorar oportunidades comerciais e fortalecer os laços com outros países da região”, conclui Helena Cardoso.

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