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Macau é referência para cidades pequenas com ambição global

Paulo Rego

Mais de 25 anos após o regresso à “Mãe Pátria”, Pequim continua a garantir a Macau lugar singular na estratégia de internacionalização do país; aliás, ao insistir na missão da RAEM ser plataforma para os Países de Língua Portuguesa, reforça mesmo o seu estatuto de cidade pequena com ambição global .

O Terceiro Plano Quinquenal da RAEM cimenta essa posição, em linha com o 15º Plano Quinquenal da China, esta semana aprovado na Assembleia Nacional Popular. Desde sempre ligado à globalização. Macau vê assim o seu ADN reconhecido no contexto das “Duas Sessões”, momento decisivo da definição política, económica e social da China; quer no plano interno quer no externo.

O projeto lusófono é clarificador, sobretudo no contexto das relações internacionais e dos desafios económicos e sociais exponenciados pela atual turbulência. Por maioria de razão na China, dado o seu peso global – 17% a 19,5% do PIB mundial em 2025 – e em Macau, que cruza a integração regional e o seu ADN global como eixo estratégico da sua diversificação económica.

Embora o desenvolvimento de Macau dependa do seu foco na integração regional, Pequim continua a valorizar a oportunidade criada ao longo de mais de quatro séculos de relações históricas, culturais e comerciais de Macau com Portugal e os outros Países de Língua Portuguesa. Combinando estabilidade política, autonomia administrativa e domínio da língua portuguesa, garante à RAEM uma posição única na região da Ásia-Pacífico.

Na expressão do Presidente Xi Jinping, “Macau deve servir como um ponto de ligação importante para facilitar a abertura de alto nível do país e aprofundar colaborações com os Países de Língua Portuguesa”. Conceito que reforça a confiança da liderança chinesa na capacidade de Macau atuar como hub multifuncional; integrando economia, educação, finanças e cultura em projetos estratégicos de cooperação internacional.

O Governo da RAEM destaca o “elo de ligação infalível” na promoção da cooperação económica, científica e cultural com a Lusofonia . Função sustentada pelo modelo “Um País, Dois Sistemas”: autonomia administrativa, estabilidade jurídica e capacidade de implementar políticas públicas alinhadas com as diretrizes nacionais.

Macau oferece infraestrutura institucional sólida para negócios internacionais; incluindo apoio legal, incentivos fiscais e facilitação de investimentos. Nesse contexto, o Governo local tem implementado programas específicos de capacitação empresarial, workshops de comércio internacional e feiras de investimento, divulgando entre os empresários lusófonos as oportunidades estratégicas que a cidade oferece.

No plano institucional, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, fundado em 2003, vai-se revelando estratégico para a assinatura de acordos, intercâmbio de políticas e implementação de projetos bilaterais. Entre 2015 e 2025, mais de 50 projetos foram facilitados nas áreas das infraestruturas, energias renováveis, tecnologia, educação e turismo sustentável.

Macau insiste agora na ideia de atrair empresas lusófonas que apostem nesta porta de entrada para o mercado chinês, beneficiando de procedimentos simplificados e suporte governamental, consolidando-se assim como um hub de referência internacional. Exemplos recentes como os acordos assinados com Angola e Moçambique – logística e transporte marítimo – reforçam essa ambição.

A dimensão académica e científica é igualmente relevante; razão pela qual a Universidade de Macau vai expandindo a sua panóplia de programas de intercâmbio internacional. Entre 2020 e 2024, mais de 300 estudantes participaram em programas de mobilidade, tendo o seu corpo docente colaborado em vários projetos de investigação nas áreas de relações internacionais, fintech, energias renováveis, biotecnologia, gestão e administração pública.

O objetivo passa por fortaler a base tecnológica da Região e desenvolver um centro de inovação e conhecimento, visão também sintetizada por Xi Jinping: “Expandir as funções únicas de Macau cria novo ímpeto para o crescimento económico”.

No setor financeiro, Macau quer apresentar-se como hub internacional do RMB, mediando fluxos de capital entre a China e os países lusófonos. Serviços de câmbio, financiamento e seguros na banca local garantem que pequenas e médias empresas lusófonas operem na China com maior confiança.

A posição de intermediário financeiro seguro e eficiente passa por combinar experiência histórica, confiança institucional e inovação em serviços. Exemplos recentes de fintech e blockchain, como os mecanismos de pagamento rápido entre China e Brasil, ampliam a competitividade no comércio internacional.

Para além da dimensão económica, Macau atua também como plataforma de soft power. Festivais culturais, exposições de arte, intercâmbios académicos e conferências internacionais consolidam laços com a Lusofonia, simultaneamente promovendo oportunidades comerciais e diplomáticas.

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, resume esse posicionamento da seguinte forma: “Aproveitar de forma plena as vantagens únicas de conectividade interna e ligação ao exterior, bem como da fusão das culturas chinesa e ocidental, para intensificar ainda mais a abertura bilateral e expandir continuamente o ‘círculo de amigos’ internacionais”.

O soft power reforça a imagem da cidade como plataforma de confiança e inovação, potenciando a atração de empresas, investidores e massa crítica.

A cooperação económica e a diplomacia cultural são complementares; criando um hub multifuncional que integra educação, ciência, cultura, finanças e comércio; e um modelo de integração regional replicável. Mais que mero ponto de passagem, Macau deve ser motor de projetos concretos, inovação internacional e diplomacia económica: referência para cidades pequenas com ambição global.

O desenho consolidado para Macau prova a convicção chinesa de que uma cidade pequena pode exercer influência global; unindo políticas nacionais, interesses internacionais e laços culturais duradouros.

O modelo da RAEM combina estabilidade política, infraestruturas robustas, instrumentos financeiros e soft power; hub multifuncional que visa atrair investimento, ter relevância económica e cultural junto dos parceiros lusófonos, e desenvolver projetos de cooperação, especialmente nos setores da educação, inovação científica, alta tecnologia e finanças modernas.

 

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