Um guarda prisional no ativo terá aproveitado as suas funções para ajudar um recluso a contrabandear produtos para o interior do estabelecimento prisional, segundo a investigação do CCAC. Após a entrada dos objetos, o recluso procuraria oportunidades para os revender dentro da prisão, obtendo lucros.
De acordo com as autoridades, o guarda terá recebido pelo menos 17 mil patacas (cerca de 1.800 euros) através da esposa do recluso como contrapartida pela ajuda prestada.
A investigação revelou ainda que o mesmo guarda terá cometido duas infrações por excesso de velocidade e tentou evitar responsabilidades pedindo a um familiar e a um amigo que assumissem a culpa pelas infrações. O CCAC considera que estes dois indivíduos poderão ter cometido o crime de falsificação de documentos.
No mesmo processo, foi também identificado um segundo guarda prisional, atualmente aposentado, suspeito de ter ajudado outro recluso a introduzir produtos proibidos no estabelecimento prisional durante o período em que exercia funções. Este guarda terá ainda auxiliado o recluso a trocar mensagens de forma clandestina com familiares em várias ocasiões.
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De acordo com o CCAC, o guarda no ativo é suspeito da prática dos crimes de corrupção passiva para ato ilícito e falsificação de documentos, enquanto o recluso envolvido e a sua esposa são suspeitos de corrupção ativa. Já o guarda aposentado poderá ter cometido o crime de abuso de poder.
Os processos foram encaminhados para o Ministério Público e comunicados à Direcção dos Serviços Correccionais (DSC). Em comunicado, a DSC manifestou profundo pesar pelo caso e condenou os comportamentos ilegais atribuídos aos agentes, considerando que prejudicam gravemente a reputação das forças disciplinares. A entidade garantiu que irá cooperar plenamente com as autoridades judiciais na investigação em curso.
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Segundo o organismo, o tribunal notificou em outubro de 2025 a suspensão do guarda no ativo por suspeitas de corrupção. Após receber uma comunicação formal do CCAC em março deste ano, os serviços iniciaram imediatamente um processo disciplinar interno.
A DSC afirmou ainda estar a rever os procedimentos de fiscalização, os mecanismos de gestão interna e os sistemas de supervisão para evitar situações semelhantes.
A instituição reiterou uma política de tolerância zero relativamente a qualquer comportamento ilegal ou disciplinarmente reprovável.