A escalada do conflito no Irão e o consequente disparar dos preços do petróleo e do gás estão a alimentar receios de pressões inflacionistas persistentes na zona euro, levando os mercados a reavaliar as trajectórias de política monetária. A cotação do crude Brent chegou a superar 119 dólares por barril, o nível mais alto desde meados de 2022, e esta inesperada subida está a provocar uma reversão nas expectativas de mercado, que agora apontam para possíveis aumentos das taxas de juro pelo BCE antes do final do ano.
Segundo relatórios internacionais, os mercados já precificam uma probabilidade significativa de subida das taxas diretoras ao longo de 2026, depois de anteriormente preverem cortes. Esta mudança de sentimento reflete a pressão adicional sobre a inflação, que poderá ultrapassar as metas do BCE se os choques de energia continuarem a alimentar aumentos de preços em sectores mais amplos da economia.
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Este ajustamento das expectativas já se reflete nas taxas Euribor, que são usadas como referência para os empréstimos à habitação de taxa variável. As taxas Euribor a três, seis e 12 meses subiram esta segunda-feira em relação à semana passada, com a Euribor a seis meses a fixar-se em 2,178% e a Euribor a 12 meses em 2,367%, níveis que levam a um acréscimo nas prestações de crédito para os mutuários com taxa variável.
Apesar da pressão dos mercados, fontes ligadas ao BCE continuam a sublinhar a necessidade de cautela nas decisões de política monetária. Alguns decisores defendem manter as taxas inalteradas nas próximas reuniões, no sentido de observar melhor os efeitos indiretos do choque nos preços da energia e a sua persistência, antes de qualquer ajuste definitivo.
A próxima reunião de política monetária está marcada para 18 e 19 de março, mas, de momento, não são esperadas alterações imediatas às taxas diretoras nessa data, ainda que os mercados mantenham a expectativa de uma possível mudança ao longo do ano caso as pressões inflacionistas se reforcem.