A mais recente desistência ocorreu esta segunda-feira, com a escusa apresentada por mais um advogado oficioso nomeado pelo tribunal, obrigando a nova suspensão da audiência e à designação de outro defensor. O caso soma assim sucessivos adiamentos, num processo que se arrasta há vários meses e continua sem estabilidade na defesa do principal arguido.
Ao longo do último ano, renunciaram à defesa de Sócrates advogados constituídos e oficiosos. Entre os nomes mais conhecidos está Pedro Delille, que abandonou o processo em novembro de 2025, criticando duramente o julgamento, e José Preto, que pediu escusa em janeiro deste ano por motivos de saúde. Já em fevereiro, Sara Leitão Moreira, nomeada pouco tempo antes, renunciou alegando falta de tempo para preparar adequadamente a defesa num processo de grande complexidade e volume documental.
A estas saídas juntaram-se vários advogados oficiosos entretanto designados, que também acabaram por renunciar, invocando razões semelhantes relacionadas com prazos, condições de trabalho e a dimensão excecional do processo. Com a desistência agora registada, sobe para sete o total de advogados que, por diferentes motivos, deixaram a defesa do ex-primeiro-ministro.
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A sucessão de renúncias tem reacendido o debate sobre o equilíbrio entre o direito à defesa e a necessidade de garantir a celeridade da justiça em processos de grande dimensão. A Ordem dos Advogados tem admitido dificuldades na gestão de nomeações oficiosas em casos desta natureza, enquanto o tribunal procura soluções que evitem novos bloqueios ao andamento do julgamento.
O processo Operação Marquês envolve acusações de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais e é considerado um dos mais complexos e mediáticos da justiça portuguesa.