O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, defendeu no domingo, em Pequim, um cessar-fogo imediato no Médio Oriente e o regresso às negociações. As declarações foram feitas durante uma conferência de imprensa à margem da sessão anual da Assembleia Popular Nacional, argumentando que a escalada militar ameaça a estabilidade regional e que as questões do Médio Oriente devem ser resolvidas pelos países da região através do diálogo.
O chefe da diplomacia chinesa apelou ao fim das operações militares e defendeu que todas as partes devem regressar “o mais rapidamente possível” à mesa das negociações. Wang Yi sublinhou também que mudanças de regime ou tentativas de “revoluções coloridas” não têm apoio popular.
Em termos de Taiwan, o ministro afirmou que nenhuma pessoa ou força poderá separar Taiwan da China. Reiterou ainda que a reunificação completa do país é um processo histórico inevitável e não pode ser travado.
Taiwan é parte integrante da China desde tempos antigos e “nunca foi, não é e nunca será um país”, segundo Wang Yi. O chefe da diplomacia chinesa acrescentou que a resolução da chamada “questão de Taiwan” faz parte do processo histórico de reunificação nacional.
O ministro acusou ainda as autoridades do Partido Democrático Progressista de promoverem uma agenda separatista, que classificou como a principal causa de tensões e de instabilidade no estreito de Taiwan.
Wang Yi sublinhou também que o princípio de “Uma Só China” tem amplo apoio na comunidade internacional. Quanto mais firme for a posição internacional contra a independência de Taiwan e a favor deste princípio, maiores serão as garantias de paz e estabilidade na região, segundo o responsável.
Sobre as relações entre a China e os Estados Unidos, o ministro afirmou que 2026 será um “ano importante” para os dois países, com vários encontros de alto nível previstos. Wang Yi defendeu que ambas as partes devem preparar essas reuniões, gerir divergências e criar um ambiente favorável ao diálogo.
“O que as duas partes precisam é de escolher como se relacionar: com respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação de benefício mútuo”, afirmou.
O ministro elogiou ainda a relação entre a China e a Rússia, que classificou como sólida e baseada em igualdade, respeito e benefícios recíprocos.
Em relação à Europa, Wang Yi disse que o continente deve ser um dos polos de um mundo multipolar e destacou a complementaridade económica entre as duas partes, defendendo que a cooperação aberta não enfraquece a segurança económica.
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Sobre as relações com a Índia, o responsável apelou à manutenção de boas relações de vizinhança e à concentração no desenvolvimento económico. Já quanto ao Japão, afirmou que o futuro das relações bilaterais depende das escolhas de Tóquio, criticando posições recentes relacionadas com Taiwan, que Pequim considera uma questão interna.
Durante a conferência de imprensa, Wang Yi destacou a importância da Organização das Nações Unidas e da reforma do sistema de governação global, defendendo uma ordem internacional mais equilibrada.
O ministro afirmou que a China não seguirá o caminho da hegemonia à medida que cresce economicamente e reiterou a proposta de construção de um mundo multipolar “igualitário e ordenado”.
O chamado “Sul Global” desempenha um papel cada vez mais relevante neste processo e deve ter maior representação nas instituições internacionais, segundo Wang Yi.
O chefe da diplomacia chinesa destacou também as relações com a América Latina e as Caraíbas, defendendo que os países da região devem escolher livremente os seus parceiros e sublinhando que a cooperação com Pequim não visa terceiros.
Quanto a África, Wang Yi afirmou que a parceria com a China continua a reforçar-se, destacando a implementação de acesso sem tarifas a 100% das importações africanas a partir de 1 de maio.
O ministro referiu ainda que a China vai acolher em novembro, na cidade de Shenzhen, a 33.ª reunião dos líderes da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês), a terceira vez que o país organiza o encontro, depois de Xangai em 2001 e Pequim em 2014.