Filho do falecido Ali Khamenei, morto a 28 de fevereiro em ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel, Mojtaba Khamenei era há vários anos apontado como o herdeiro mais influente do antigo líder, apesar de manter um perfil discreto e de atuar sobretudo nos bastidores do poder.
Nascido a 8 de setembro de 1969, Mojtaba Khamenei participou na guerra entre o Irão e o Iraque entre 1987 e 1988. De acordo com várias fontes iranianas e internacionais, terá também exercido influência direta sobre a milícia paramilitar Basij, envolvida na repressão dos protestos que se seguiram às eleições presidenciais de 2009.
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A sua escolha não esteve isenta de polémica. Mojtaba não é considerado um clérigo de alto escalão, não ocupava cargos oficiais no Estado e foi alvo de sanções norte-americanas em 2019. Além disso, a sucessão de pai para filho foi criticada por sectores da hierarquia clerical xiita, que veem com desconfiança qualquer semelhança com um modelo dinástico num regime que nasceu da revolução que derrubou a monarquia do xá.
Segundo o jornal Iran International, Mojtaba Khamenei era o candidato preferido da Guarda Revolucionária Islâmica, que terá pressionado a Assembleia de Peritos para garantir a sua eleição. Fontes citadas pelo mesmo jornal indicam que a decisão estava praticamente tomada desde sábado, com a consolidação de uma maioria clara em torno do seu nome.

Ali Khamenei foi morto a 28 de fevereiro
Na manhã deste domingo, o aiatola Mohsen Heidari Alekasir afirmou que o sucessor foi escolhido de acordo com um princípio defendido pelo antigo líder: “deve ser odiado pelo inimigo e não elogiado por ele”. O clérigo acrescentou que até o “Grande Satã”, expressão usada para designar os Estados Unidos, já teria “mencionado o nome do escolhido”, numa alusão às recentes declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, que classificou como “inaceitável” a eventual ascensão de Mojtaba Khamenei.
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Na véspera do anúncio oficial, o aiatola Mohammad Mehdi Mirbagheri, membro da Assembleia de Peritos, tinha confirmado que se formara uma “opinião decisiva e esmagadora” a favor do novo líder, embora tenha advertido para a necessidade de conduzir o processo com cautela, tendo em conta o contexto de guerra e instabilidade no país.
Com a confirmação de Mojtaba Khamenei como Líder Supremo, o Irão entra numa nova fase política e religiosa, marcada por um conflito regional em curso e por fortes tensões internas e externas quanto ao rumo do regime.